TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Irã cogita abrir frente no estreito de Bab al-Mandeb para conter EUA, dizem fontes

Movimentação iraniana pode afetar rota estratégica do comércio global e agravar crise regional, alertam autoridades.

Publicado em 25/03/2026 às 23:39
Estreito de Bab al-Mandeb, no Iêmen, é estratégico para o comércio global e alvo de tensão entre Irã e EUA. © AP Photo / Bernat Armangue

O trecho de Bab al-Mandeb, localizado em Iêmen, é um dos pontos mais estratégicos do comércio global, por onde circulam cerca de 12% do tráfego marítimo mundial e aproximadamente 9 milhões de barris de petróleo diariamente.

O Irã ameaçou abrir uma nova “frente” no estreito de Bab al-Mandeb, no mar Vermelho, como forma de conter os Estados Unidos, conforme informou a agência iraniana Tasnim News Agency, citando uma fonte militar.

Anteriormente, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou que o país poderia abrir novas frentes de hostilidade contra os EUA e Israel caso o conflito regional se intensificasse.

Segundo a fonte ouvida pela agência, Teerã possui capacidade de ameaçar essa importante via marítima. Assim como o estreito de Ormuz, Bab al-Mandeb é vital para o comércio global de energia, e qualquer interrupção pode impactar diretamente o fluxo entre a Europa e a Ásia, orientando cadeias globais de energia e logística.

Na semana passada, o movimento iemenita Houthis também ameaçou bloquear a região para embarques de países considerados agressores, de acordo com um membro de sua liderança política.

Mohammed al-Bukhaiti, membro do escritório político dos Houthis, afirmou que a medida teria como alvo apenas nações envolvidas em ações militares contra aliados do chamado Eixo da Resistência, que inclui o Irã.

“Se formos solicitados a fechar o estreito de Bab al-Mandeb, atacaremos apenas países que participarem de agressões contra a Palestina, o Líbano ou outros membros do Eixo da Resistência, como Irã e Iraque”, declarou.

Risco de agravar a crise no Oriente Médio

Enquanto isso, Arábia Saudita e Estados Unidos buscam evitar que o grupo Houthis entre no conflito, o que poderia ampliar dramaticamente a crise no Oriente Médio, segundo o jornal The Wall Street Journal.

A possível escalada preocupa pelo impacto em rotas estratégicas como o canal de Suez e o estreito de Bab al-Mandeb, por onde passa parcela significativa do comércio global de petróleo e gás.

As autoridades alertam que, caso os Houthis ingressem na guerra, o bloqueio de rotas marítimas pode se intensificar, elevando riscos ao comércio internacional e pressionando ainda mais o Oriente Médio. Os líderes Houthis afirmam que a entrada no conflito é "apenas uma questão de tempo".


Por Sputnik Brasil