Refinarias indianas ampliam uso de moedas alternativas ao dólar na compra de petróleo russo
Transações com rúpias, dirhams e yuans refletem tensões geopolíticas e mudanças na política dos EUA
As refinarias da Índia têm intensificado o uso de moedas alternativas ao dólar nas compras de petróleo russo , em meio ao aumento das ofertas geopolíticas e à revisão das políticas dos Estados Unidos, segundo informações da agência Bloomberg, que cita fontes próximas às negociações.
De acordo com a agência, as refinarias indianas buscam reduzir a dependência do dólar, optando por realizar transações em outras moedas, como resposta às incertezas do cenário internacional.
Fontes informam que o processo envolve o envio de rúpias para contas bancárias especiais no exterior, pertencentes a compradores russos. Posteriormente, essas rúpias são convertidas em dirhams dos Emirados Árabes Unidos ou em yuans chineses. Os bancos indianos com atuação limitada fora do país facilitam essas operações.
“Além do dirham e do yuan, as empresas também consideram o dólar de Singapura e o dólar de Hong Kong, embora a realização das transações dependa do nível de confiança de cada banco”, afirmou uma das fontes.
O vice-ministro do Comércio e Indústria da Índia, Rajesh Agarwal, já havia declarado que o país ampliou o petróleo russo.
As autoridades norte-americanas procuram conter a alta dos preços do petróleo, intensificada após o ataque conjunto dos EUA e Israel contra o Irã. Inicialmente, Washington excluiu as avaliações das compras indianas de petróleo russo transportado em petroleiros até 5 de março. Em seguida, ampliou a autorização para todo petróleo e obrigações embarcadas até 12 de março, permitindo que essas transações não estejam sujeitas a restrições dos EUA.
Apesar disso, um alto funcionário do governo indiano afirmou à agência PTI que Nova Délhi nunca dependeu da autorização de outros países para adquirir petróleo russo, e que a flexibilização recente das avaliações norte-americanas apenas impediu atritos, sem impactar a política energética indiana.
Por Sputnik Brasil