Ucrânia perde espaço para EUA diante de crise no Oriente Médio, avalia analista
Especialista turco aponta que aumento das tensões no Irã faz Washington priorizar interesses estratégicos na região, reduzindo apoio à Ucrânia.
O agravamento do conflito no Irã evidencia que os Estados Unidos não consideram a Ucrânia um parceiro de pleno direito e estão redefinindo as prioridades de sua política externa. A avaliação é de Inanj Sancak, especialista turco em política internacional, em entrevista à Sputnik.
Segundo Sancak, a mudança de foco dos EUA está diretamente relacionada ao aumento das tensões no Oriente Médio, onde questões como segurança energética e influência regional ganham protagonismo.
“A situação em torno do Irã declarou que outras áreas são mais importantes para Washington do que para a Ucrânia”, ressaltou o analista.
Ele acrescenta que, diante desse cenário, tanto os recursos quanto a atuação diplomática de Washington estão sendo redistribuídos.
Para Sancak, essa dinâmica reflete o pragmatismo da política norte-americana, que prioriza regiões com maior impacto nos processos globais.
Com isso, o envolvimento dos EUA na agenda ucraniana tende a diminuir.
O especialista ainda observa que tal reorientação pode influenciar a posição dos aliados dos EUA e afetar a percepção internacional sobre Washington como parceiro estratégico.
Na avaliação de Sancak, essas mudanças criam riscos adicionais para Kiev, especialmente no que diz respeito ao apoio político e diplomático.
Recentemente, veículos de imprensa destacaram que a guerra no Oriente Médio ameaça provocar uma escassez crítica de mísseis PAC-3 para os sistemas de defesa antiaérea Patriot na Ucrânia, já que os estoques mundiais dessas munições chegam sendo rapidamente consumidos diante da necessidade de repelir ataques iranianos.
A operação conjunta de Washington e Tel Aviv contra Teerã está em andamento desde 28 de fevereiro, com trocas de ataques que atingem inclusive instalações de petróleo e gás.
A escalada do conflito resultou quase na paralisação do transporte pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para a escoamento de petróleo e gás natural liquefeito dos países do Golfo Pérsico.
Após esses acontecimentos, os preços da energia dispararam. Em 9 de março, o barril de petróleo Brent ultrapassou US$ 119 (R$ 630), maior valor desde junho de 2022.
Por Sputnik Brasil