UE aprova salvaguardas para eliminar tarifas industriais dos EUA
Parlamento Europeu condiciona redução de tarifas a compromissos dos Estados Unidos e prevê mecanismos de suspensão em caso de descumprimento.
O Parlamento Europeu aprovou nesta quinta-feira (26) salvaguardas para o acordo comercial entre União Europeia (UE) e Estados Unidos, estabelecendo condições para a redução de tarifas sobre produtos americanos. Os textos, que ainda dependem de aprovação pelos Estados-membros, preveem a eliminação da maior parte das sobretaxas sobre bens industriais dos EUA e o acesso preferencial ao mercado europeu para uma ampla gama de produtos agrícolas e de pesca, em consonância com compromissos assumidos para o verão de 2025 no Hemisfério Norte.
Os eurodeputados reforçaram a chamada "cláusula de suspensão", que permite interromper as preferências tarifárias caso os EUA descumpram o acordo. A medida poderá ser acionada, por exemplo, se Washington impor tarifas adicionais acima do limite de 15% ou adotar novas taxas sobre produtos europeus, além de situações de discriminação econômica ou coerção.
Foi introduzida ainda a "cláusula de entrada em vigor", conhecida como "sunrise", que condiciona a aplicação das novas tarifas ao cumprimento integral dos compromissos pelos EUA. Entre eles, está a redução das tarifas para produtos europeus com menos de 50% de aço e alumínio para, no máximo, 15%. Para bens com maior teor desses metais, as preferências tarifárias europeias poderão ser suspensas seis meses após a entrada em vigor da regulação, caso os EUA não reduzam suas tarifas ao mesmo patamar.
O Parlamento também incluiu uma "cláusula de expiração" ("sunset"), que determina o fim das regras em 31 de março de 2028, salvo renovação mediante nova proposta legislativa após avaliação de impacto.
O texto prevê ainda um mecanismo de salvaguarda, que autoriza a Comissão Europeia a suspender temporariamente tarifas caso o aumento das importações americanas — como uma alta de 10% em determinado grupo de produtos — ameace causar prejuízos relevantes à indústria do bloco.
Relator da proposta, Bernd Lange afirmou que o Parlamento só apoiará o acordo se houver "salvaguardas muito fortes e claras" e após o cumprimento integral dos termos pelos EUA. Segundo ele, "qualquer nova ameaça tarifária ou falha do acordo em beneficiar produtores e consumidores europeus levará à expiração da legislação".