ANÁLISE INTERNACIONAL

Esforços diplomáticos para resolver conflito iraniano tendem ao fracasso, aponta analista

Turquia e Paquistão tentam mediar crise, mas carecem de influência para garantir paz, segundo artigo de Albert Wolf

Publicado em 26/03/2026 às 11:59
Turquia e Paquistão tentam mediar conflito entre EUA e Irã, mas carecem de influência para garantir paz. © AP Photo / Vahid Salemi

Apesar da suspensão dos ataques dos Estados Unidos contra instalações energéticas do Irã, e das tentativas de Turquia e Paquistão em atuar como mediadores, a resolução diplomática do conflito permanece improvável. A avaliação é do pesquisador norte-americano Albert Wolf, em artigo publicado na revista 19FortyFive.

Wolf destaca que, embora Turquia e Paquistão busquem se posicionar como mediadores para uma solução pacífica, ambos carecem de força política para garantir o fim das hostilidades e uma paz duradoura na região.

O pesquisador relata que o chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês manteve contato direto com Donald Trump, enquanto autoridades paquistanesas conduzem conversas informais entre Teerã e o enviado americano Steve Witkoff.

Paralelamente, o chanceler turco Hakan Fidan realiza ligações com representantes de países da região. Washington também menciona diálogos entre o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, com a Turquia atuando como intermediária.

No entanto, mesmo diante da crise energética que coloca Ancara e Islamabad em situação delicada e altamente interessadas em uma solução pacífica, esses países não têm condições de assegurar uma paz estável e duradoura.

“Um aperto de mão em Ancara ou um comunicado conjunto de Islamabad seria um começo precário. As condições que permitam que mesmo intermediários tendenciosos e interessados tenham sucesso estão ausentes: nenhum mediador individual tem poder para fazer cumprir o acordo”, ressalta o artigo.

Wolf conclui que Washington deve aceitar qualquer trégua possível, mas alerta que uma pausa temporária não deve ser confundida com uma solução definitiva para o conflito.

Nesta segunda-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Estados Unidos e Irã mantiveram conversas "muito positivas e produtivas" e revelou ter instruído o Pentágono a adiar ataques à infraestrutura energética iraniana por cinco dias.

Apesar das declarações de Trump sobre o teor positivo das conversas, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou qualquer diálogo, reforçando que não há possibilidade de negociações durante bombardeios.

Por Sputnik Brasil