ECONOMIA GLOBAL

Fitch alerta que petróleo caro e bolsas em queda podem reduzir PIB mundial em 0,8%

Agência projeta impacto negativo em caso de prolongamento do conflito com o Irã até 2026, afetando crescimento e inflação em diversas economias.

Publicado em 26/03/2026 às 11:58
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Os efeitos da alta do petróleo e da queda das bolsas de valores devem ser os principais fatores de impacto negativo sobre a economia global, caso o conflito com o Irã se estenda até o fim do primeiro semestre de 2026, de acordo com análise da Fitch Ratings. Nesse cenário, o Produto Interno Bruto (PIB) mundial poderia ficar cerca de 0,8% menor após quatro trimestres, em comparação ao cenário base, aponta a agência.

Segundo a Fitch, o aumento do preço do petróleo afetaria de forma mais intensa países como Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos. Já a desvalorização dos mercados acionários teria maior impacto em Canadá, Coreia do Sul e EUA. No caso americano, a agência destaca que a perda de riqueza provocada pela desvalorização das ações explicaria aproximadamente metade da redução do PIB.

No relatório de perspectivas econômicas globais (GEO, na sigla em inglês) de março, a Fitch projeta crescimento de 2,2% nos EUA, 4,3% na China e 1,3% na zona do euro em 2026, com expansão global de 2,6%. No cenário adverso, porém, os EUA cresceriam apenas 1,5%, a China ficaria abaixo de 4% e a zona do euro, abaixo de 1%.

A agência ressalta que o impacto mais significativo seria observado após quatro trimestres. No último trimestre de 2026, o crescimento anual dos EUA seria de 0,6%, ante 1,8% no cenário base. Na zona do euro, também seria de 0,6% (ante 1,5%), enquanto o crescimento global cairia para 1,7%, em vez dos 2,5% projetados inicialmente.

A inflação nas economias do grupo 'Fitch 20' ficaria, em média, 1,3 ponto percentual mais alta nesse cenário, com aumentos superiores a 2 pontos em países como Índia, Polônia e Turquia. A Fitch observa, porém, que não considerou possíveis medidas dos governos para conter os preços de energia.

Apesar da pressão inflacionária, a agência avalia que os bancos centrais de EUA, Europa e Reino Unido provavelmente não endureceriam de forma significativa a política monetária, em um contexto diferente do choque energético de 2022.