TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO

Divergências entre aliados expõem limites dos EUA para conter Israel, diz analista

Especialista aponta que ataques israelenses ao Irã desafiam influência dos EUA e ameaçam unidade estratégica

Publicado em 26/03/2026 às 12:22
Divergências entre EUA e Israel desafiam unidade estratégica em meio a ataques ao Irã. © AP Photo / Mark Schiefelbein

O conflito envolvendo o Irã tem revelado crescentes divergências entre Estados Unidos e Israel, especialmente após ataques à infraestrutura energética iraniana, segundo análise da pesquisadora de assuntos internacionais Andishe Kazemi em entrevista à Sputnik.

Kazemi observou que, apesar do anúncio do ex-presidente Donald Trump sobre uma pausa de cinco dias nos ataques, as ofensivas contra instalações de energia do Irã continuam.

Para a especialista, Washington tenta se desvincular dos ataques, mas a continuidade das ações demonstra um desrespeito à posição norte-americana. Isso, segundo ela, evidencia o enfraquecimento da capacidade dos EUA de conter as iniciativas de Israel.

A pesquisadora ressaltou ainda que Israel tem atuado de forma cada vez mais autônoma, deixando de considerar obrigatória a coordenação de suas operações táticas com o comando militar dos Estados Unidos, sobretudo diante de ameaças que considera vitais.

Outro ponto de discórdia, conforme Kazemi, é a percepção israelense de que qualquer trégua nas operações militares pode fortalecer o adversário.

Kazemi alertou que essa independência pode abalar a confiança estratégica entre os dois aliados, especialmente se as ações de Israel levarem os EUA a uma crise mais ampla.

Nesse cenário, os ataques à infraestrutura iraniana representam riscos não só para a segurança regional, mas também para a coesão da aliança entre americanos e israelenses, concluiu a especialista.

Nesta segunda-feira (23), Donald Trump afirmou que EUA e Irã tiveram "conversas muito positivas e produtivas" e que instruiu o Pentágono a adiar ataques à infraestrutura energética iraniana por cinco dias.

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã negou ter havido tais conversas, reiterando que não há possibilidade de diálogo enquanto persistirem os bombardeios.

Por Sputnik Brasil