ECONOMIA

Galípolo afirma que impacto do petróleo no PIB exige análise detalhada

Presidente do Banco Central ressalta que alta do petróleo não resulta de aumento da demanda global e pede cautela na avaliação dos efeitos sobre a economia brasileira.

Publicado em 26/03/2026 às 13:20
Galípolo afirma que impacto do petróleo no PIB exige análise detalhada Reprodução

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que o impacto da recente alta do petróleo sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro precisa ser analisado com atenção, pois não se deve ao aumento da demanda. "O crescimento precisa ser estudado com mais atenção, porque, historicamente, a gente estabelece essa correlação positiva entre o preço do petróleo e o crescimento da economia brasileira. No passado, quando o petróleo estava subindo, normalmente havia um ciclo de demanda global pressionando esse preço. Não é isso que ocorre agora. O petróleo está subindo por outras razões", explicou Galípolo.

A declaração foi feita durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre de 2026.

O presidente do BC ponderou que, na visão dos bancos centrais, choques de oferta costumam resultar em mais inflação e menos crescimento econômico. Ele destacou a necessidade de compreender os desdobramentos da crise atual, especialmente considerando que o Brasil mantém uma taxa de juros bastante restritiva.

Conflito no Oriente Médio amplia incertezas

Galípolo ressaltou que o principal desafio do conflito no Oriente Médio é o tempo necessário para compreender seus impactos. "É tempo para entender e, obviamente, esse tempo é diferente para cada um dos agentes", afirmou.

Ele observou que diversos governos ao redor do mundo reagiram rapidamente ao choque do petróleo, buscando conter seus efeitos sobre os preços, seja por meio da redução de impostos ou do uso de reservas emergenciais.

O presidente do BC também alertou que o atual choque de oferta afeta não apenas a logística, como o fechamento do estreito de Ormuz, mas também a capacidade produtiva, que pode ser destruída e levar mais tempo para ser restabelecida. Segundo Galípolo, os efeitos não devem se restringir ao petróleo, podendo atingir outros produtos e mercados.

Ele destacou ainda que o mundo enfrenta o quarto grande choque de oferta em dez anos, o que evidencia os riscos de efeitos de segunda ordem, potencialmente mais duradouros.

Os choques anteriores, segundo Galípolo, foram a pandemia de covid-19, a invasão da Ucrânia e a guerra tarifária.