EDUCAÇÃO

Estudantes ocupam sede da Secretaria de Educação do estado de SP

Educação, São Paulo, Secretaria Estadual da Educação de São Paulo, Movimento Estudantil, UNE

Publicado em 26/03/2026 às 15:06
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Em protesto contra as políticas educacionais atuais do governo de São Paulo, estudantes ocuparam na tarde desta quarta-feira (25) a sede da Secretaria Estadual da Educação , na Praça da República, centro da capital paulista. A Polícia Militar foi acionada e, durante a madrugada, retirou os estudantes do local fazendo uso de spray de pimenta.

A mobilização foi organizada pela União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), com o apoio da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP).

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O protesto foi transmitido ao vivo pelas redes sociais das entidades estudantis. “Estamos aqui hoje ocupando uma secretaria e lutando por melhores condições de ensino”, disse Júlia Monteiro, presidente da UPES, durante uma live do local.

De acordo com um líder estudantil, a desocupação foi feita com “extrema violência e brutalidade”.

"Seguimos convictos da luta e acreditamos que a educação seja um pilar fundamental para que as pessoas debatam, inclusive, sobre esse tipo de tratamento com os estudantes. Não nos cabe autoritarismo e não nos cabe violência", disse em vídeo nas redes sociais.

No protesto pela melhoria da educação pública, os estudantes pediram principalmente uma recomposição orçamentária . O movimento diz que desde 2024 o percentual mínimo obrigatório de investimento na área foi limitado, representando uma retirada de cerca de R$ 11,3 bilhões do orçamento da educação estadual.

Além disso, o protesto também reivindicou, sem sucesso, uma reunião com o secretário de Educação, Renato Feder. Os estudantes pedem ainda o fim da implementação das escolas cívico-militares, projeto do governo de São Paulo que vem recebendo críticas e sendo considerado judicialmente.

A mobilização também combate a plataformização do ensino, a retomada do ensino noturno e defende uma reorganização escolar que respeite as realidades das comunidades.

PM

Por meio de nota, a Polícia Militar disse ter sido acionada na noite de ontem “para atender uma ocorrência de invasão a um prédio público” e que havia 21 pessoas no local, “entre adultos e menores de idade”.

"Houve tentativas de negociação para a desocupação do prédio, sem sucesso. Na madrugada desta quinta (26), após tentativa de negociação, os policiais militares realizaram a retirada dos manifestantes", diz nota da Secretaria de Segurança Pública.

De acordo com a nota, os manifestantes foram prorrogados ao 2º Distrito Policial, em Bom Retiro, onde foram ouvidos e liberados. Ninguém ficou ferido.

Secretaria de Educação

Já a Secretaria da Educação disse estar comprometida com o diálogo e que desde o dia 19 o secretário Renato Feder aguarda os representantes da UPES para uma reunião.

"Na ocasião, havia um encontro previamente agendado com os estudantes, que foi cancelado por solicitação do próprio grupo. Uma nova audiência com o secretário foi marcada para esta sexta-feira (27). No entanto, os estudantes abriram a mão do diálogo e optaram por invadir a sede da secretaria", diz a nota da pasta.

Sobre as pautas dos estudantes, a secretaria informou que as escolas cívico-militares representam 100 unidades dentro de um universo de mais de 5,3 mil escolas da rede estadual, “com implantação realizada a partir de consultas públicas com as comunidades escolares, que optaram pelo modelo”.

A pasta diz ainda que houve “um investimento recorde em infraestrutura: R$ 3,1 bilhões em 6.764 obras entre 2023 e 2026, volume que supera em 3,7 vezes o da gestão anterior”.