PF investiga marido de pesquisadora por furto de material biológico na Unicamp
Polícia Federal apura participação de Michael Edward Miller no desaparecimento de material biológico; Soledad Palameta Miller responde em liberdade provisória.
A Polícia Federal investiga se Michael Edward Miller, marido da pesquisadora Soledad Palameta Miller, está envolvido no furto de material biológico armazenado no Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O jornal Estadão tenta localizar a defesa de Edward Miller.
Soledad, professora doutora da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp, de 36 anos, foi presa em flagrante pela PF na segunda-feira, 23, após a própria instituição comunicar o desaparecimento do material. Ela foi investigada no âmbito de um inquérito policial e, na tarde de terça-feira, 24, obteve liberdade provisória concedida pela Justiça Federal.
De acordo com a PF, foram cumpridos dois mandatos de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas. O material biológico foi localizado e orientado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise, com apoio técnico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
"As investigações prosseguem para esclarecer as explicações dos fatos. Os investigados irão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado", informou a Polícia Federal.
A defesa de Soledad declarou ao Estadão que, devido ao sigilo decretado pela 9ª Vara Federal de Campinas, não irá se pronunciar. “Prezando pela segurança jurídica e pelo sigilo dos atos processuais, limitamos nossas manifestações ao âmbito judicial, em respeito ao devido processo legal”, afirmou em nota.
A professora é investigada por produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) ou seus derivados — incluindo bactérias e plantas — sem autorização ou em desacordo com as normas da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e dos órgãos de registro e fiscalização.
Quem é a pesquisadora?
Soledad atua no Departamento de Ciência de Alimentos e Nutrição da Unicamp. É biotecnologista formado pela Universidade Nacional de Rosário (Argentina) e doutor em Ciências, na área de Farmacêuticos, Medicamentos e Insumos para Saúde, pela própria Unicamp.
Nascida na Argentina, Soledad também trabalhou no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), desenvolvendo projetos de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais para terapia de câncer.
Após ser localizada em seu carro na segunda-feira, Soledad foi presa em flagrante, mas obteve liberdade provisória um dia depois, por decisão da Justiça Federal. Entre as determinações, ela deverá comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal de Campinas, está proibida de acessar os laboratórios da Unicamp e não pode deixar o país.
Em nota publicada no site da universidade, uma reitoria da Unicamp informou que colaborou com as investigações da PF e instaurou sindicância interna para apurar o caso. "A universidade mantém-se à disposição das autoridades competentes para auxiliá-las no esclarecimento das explicações em que os fatos ocorreram. Os detalhes do caso serão preservados para não comprometer o andamento das investigações", destacou a instituição.