Mulher esfaqueia namorado e alega legítima defesa após violência doméstica em Maceió
Millena Beatriz, de 21 anos, afirma ter agido para se proteger das agressões do companheiro. Advogada classifica o caso como sobrevivência, não apenas violência.
Alerta: O texto a seguir aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você ou alguém que conhece esse tipo de situação, ligue 180 e denuncie.
Millena Beatriz Correia Freire da Silva, de 21 anos, foi detida após confessar ter esfaqueado o companheiro, de 22 anos, na madrugada de segunda-feira (23), em Maceió (AL). Segundo um jovem, o ato foi em defesa legítima, após sofrer reiteradas agressões e ameaças.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Millena relatou o ocorrido e afirmou: "De homem eu não apanho mais não. Eu vou presa, mas vou feliz. De homem eu não apanho mais não".
De acordo com a advogada Amanda Montenegro, que acompanha o caso, “não foi um simples caso de violência, foi um caso de sobrevivência”. A defensora relata que Millena, conhecida como Bia, desenvolveu um ciclo contínuo de agressões físicas, psicológicas, controle possessivo e ameaças de morte durante sete meses de relacionamento. “Bia tentou diversas vezes romper o ciclo e sair da relação, mas era impedida por novidades e chegou a ficar em cárcere privado”, afirmou a advogada.
Segundo a Polícia Militar de Alagoas, uma equipe do 5º Batalhão foi acionada por volta das 4h para atender a uma ocorrência de violência doméstica no bairro Benedito Bentes. No local, os policiais encontraram o homem de 22 anos caído, inconsciente e ensanguentado.
Millena relatou aos policiais que usou uma faca para se defender das agressões. O companheiro foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), entubado e direcionado ao Hospital Geral do Estado (HGE).
Após ser conduzida à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Millena foi ouvida e liberada. Conforme sua advogada, o jovem chegou a ficar acamado devido à gravidade das agressões sofridas.
"Ela foi brutalmente agredida com socos, chutes, empurrões, puxões de cabelo e até com tijolos. Diante de uma agressão atual, injusta e letal, Bia não teve outra alternativa a não ser se defensora com o uso de uma faca", explicou a advogada.