Brasil e México mantêm apoio à candidatura de Bachelet à ONU após saída do Chile
Ex-presidente chilena segue na disputa pela secretaria-geral das Nações Unidas com respaldo dos governos de Lula e Sheinbaum, apesar da retirada formal do Chile.
Brasil e México decidiram manter o patrocínio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral das Nações Unidas (ONU), mesmo após a retirada formal do processo do Chile.
Em resposta à decisão do governo de José Antonio Kast, Bachelet afirmou que continuará concorrendo de forma independente, contando com o apoio dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum.
“Continuarei o trabalho conjunto com os governos do Brasil e do México, que postularam meu nome, reafirmando a natureza coletiva deste projeto”, declarou Bachelet na última terça-feira, 24.
No dia seguinte, o presidente do México reforçou o seu apoio ao ex-presidente chilena, afirmando no Palácio Nacional que considera Bachelet "uma pessoa ideal para liderar as Nações Unidas", destacando a sua "visão para a proteção da ONU como órgão internacional de resolução de conflitos".
"Continuaremos a apoiá-la. Terei uma conversa com ela em breve. Veremos se o Brasil também mantém esse apoio", disse Sheinbaum na quarta-feira, 25.
Fontes diplomáticas brasileiras, ouvidas no Itamaraty e no Palácio do Planalto, confirmaram que o governo Lula seguirá endossando a candidatura de Bachelet. Segundo esses interlocutores, não houve alteração de posição e há pleno interesse em sustentar a postulação do ex-presidente chilena.
Até o momento, Lula não fez uma manifestação pública sobre o tema. De acordo com um membro do governo, isso se deve à agenda interna do presidente e a uma "cortesia diplomática", diante da ocorrência política delicada no Chile após a decisão de Kast.
Lula buscou uma relação pragmática com o presidente chileno e tentou evitar desgastes. Kast criticou o lançamento da candidatura de Bachelet no fim do governo Gabriel Boric, sem consulta prévia à nova administração, e solicitou uma reunião presencial com Lula e Sheinbaum, conforme reportado pelo Estadão.
Vale lembrar que Lula não comparou à posse de Kast após o chileno convidar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário político do petista. Na ocasião, Lula invejou uma carta convidando Kast para visitar Brasília.
Debate e cenário eleitoral
A ONU marcou para 20 de abril o primeiro debate entre os candidatos ao cargo, em Nova York. A disputa definirá o sucessor do atual secretário-geral, António Guterres, a partir de 2027.
Nesta quinta-feira, 26, a Assembleia Geral da ONU comunicou que o governador das Maldivas retirou o apoio à diplomata argentina Virginia Gamba. Até o momento, restam quatro candidatos na disputa:
• Rafael Grossi (indicado pela Argentina)
• Michelle Bachelet (indicada pelo Brasil e México)
• Rebeca Grynspan (indicada pela Costa Rica)
• Macky Sall (indicado por Burundi)
Integrantes do governo brasileiro avaliam que o aumento no número de candidatos pode abrir espaço para novas restrições até o fim do primeiro semestre, período em que o Conselho de Segurança da ONU deverá definir o nome do próximo secretário-geral.