ECONOMIA

Galípolo afirma que Banco Central tem margem para avaliar impactos da guerra no Brasil

Presidente do BC destaca cautela diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre inflação e crescimento econômico.

Publicado em 26/03/2026 às 16:16
Presidente do BC, Gabriel Galípolo, destaca cautela diante dos impactos da guerra no Oriente Médio.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (26) que ainda é necessário tempo para compreender os impactos da guerra no Oriente Médio sobre a inflação e o crescimento da economia brasileira.

Segundo Galípolo, uma postura conservadora e contracionista da política monetária do BC nos últimos períodos colocou o país em uma posição mais favorável para enfrentar o choque de oferta provocado pelo conflito.

Notícias relacionadas:

“A parcimônia, a serenidade e o conservadorismo do Banco Central ao longo do final de 2024, no ano de 2025 e agora no início de 2026 concedem ao Banco Central a possibilidade de levar mais tempo para poder entender quais são os desdobramentos desse conflito”, declarou Galípolo durante entrevista coletiva em Brasília, após a divulgação do Relatório de Política Monetária do BC.

O atual choque de oferta, causado pelo bloqueio do estreito de Ormuz após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, elevou os preços do petróleo e seus derivados.

“Quando analisamos o início do conflito, observando a curva do petróleo e a precificação, talvez possamos afirmar que o diagnóstico inicial é de um choque de oferta decorrente de um estrangulamento logístico”, explicou Galípolo.

O presidente do BC destacou que, atualmente, os bancos centrais sinalizam grande incerteza quanto aos efeitos da guerra na economia global, evitando redução do crescimento e aumento da inflação.

“Parece que agora se consolida a interpretação de que este é um choque de oferta que não afeta apenas a logística, relacionado ao fechamento do estreito de Ormuz, mas também impacta a capacidade produtiva”, acrescentou.

Galípolo relembrou episódios anteriores de choque de oferta, como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e a guerra tarifária dos Estados Unidos.

"Há um consenso entre os banqueiros centrais de que um choque de oferta tende a aumentar a inflação e reduzir o crescimento. Nesse contexto, aumenta-se o intervalo de confiança das projeções e diminui-se a confiança nas estimativas", completou.

Crescimento da economia

Nesta quinta-feira, o BC divulgou seu Relatório de Política Monetária , mantendo em 1,6% a projeção de crescimento da economia em 2026. O dado, referente ao primeiro trimestre do ano, repete o valor divulgado no relatório anterior, de dezembro.

O Banco Central ressalta, porém, que a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) está sujeita a “maior incerteza” devido a possíveis efeitos dos conflitos no Oriente Médio.

“Se se prolongar [o conflito], seus impactos predominantes no país e no exterior deverão ser consistentes com um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e o declínio o crescimento, ainda que alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar”, aponta o relatório do BC.