Efeitos do tráfico transatlântico de escravos ainda são visíveis hoje, diz pesquisador
ONU reconhece escravidão como crime contra a humanidade e incentiva reparações; países europeus evitam debate
O reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade pela ONU demorou a acontecer devido à predominância histórica das potências envolvidas nesse comércio, afirmou à Sputnik o pesquisador e professor universitário Mohammed Salah Djemal.
Segundo o especialista, o tráfico transatlântico de escravos provocou o enfraquecimento duradouro das sociedades africanas e contribuiu para o enriquecimento das economias ocidentais. Djemal destaca que as desigualdades econômicas atuais têm, em parte, origem nesse passado.
O pesquisador acrescenta que a abstenção de países como França e Reino Unido demonstra o receio dessas nações em enfrentar debates sensíveis sobre sua própria história.
Nesta quarta-feira (25), em votação simbólica, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas reconheceu a escravidão e o tráfico transatlântico de africanos como alguns dos crimes mais graves contra a humanidade.
A iniciativa, liderada por Gana e pela União Africana, busca incentivar os países que se beneficiaram dessas práticas a apresentarem pedidos de desculpas e apoiarem medidas de reparação voltadas aos descendentes das vítimas.
O texto aprovado também recomenda que os Estados adotem ações para combater o racismo e promovam a devolução de bens culturais e espirituais retirados de nações africanas.
No total, 123 países votaram a favor da declaração — entre eles o Brasil —, enquanto 52 se abstiveram e apenas três se posicionaram contra: Estados Unidos, Israel e Argentina.
O presidente de Gana, John Mahama, esteve presente na sede da ONU para apoiar a votação e classificou a decisão como "histórica".
Por Sputnik Brasil