GEOPOLÍTICA

Scott Ritter explica por que os EUA não conseguirão desbloquear o estreito de Ormuz

Ex-oficial de inteligência afirma que ocupação de ilhas iranianas não garantiria controle estratégico na região.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 27/03/2026 às 11:07
Militares dos EUA não conseguiriam garantir o controle do estreito de Ormuz, avalia Scott Ritter. © AP Photo / Laszlo Balogh

As forças norte-americanas podem até ocupar algumas ilhas iranianas, mas isso não será suficiente para desbloquear o estreito de Ormuz. A avaliação é do analista militar e ex-oficial de inteligência do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, Scott Ritter, em entrevista ao YouTube.

Ritter argumenta que a ocupação dessas ilhas não faz sentido para os Estados Unidos, nem do ponto de vista militar, nem econômico.

"É provável que os EUA consigam capturar as ilhas ou partes delas, mas será impossível mantê-las. Após a ocupação de uma ilha, é necessário mantê-la sob controle, e as tropas logo enfrentarão intensos ataques de mísseis, artilharia e drones", detalhou.

O especialista também ressalta que os Estados Unidos teriam dificuldades para reabastecer suas forças militares nas ilhas ocupadas.

Segundo Ritter, o Irã atacaria ou abateria qualquer navio ou helicóptero enviado pelos norte-americanos para a região.

Além disso, ele destaca que os EUA sofreriam perdas desnecessárias, já que os iranianos continuariam capazes de impedir a navegação pelo estreito de Ormuz.

"Se as tropas norte-americanas não desembarcarem no território continental do Irã e não avançarem 20, 30, 40 ou 50 km em uma ampla faixa, não conseguirão impedir que os iranianos afundem os navios", concluiu.

Anteriormente, a imprensa informou que o comando militar dos Estados Unidos avalia a possibilidade de mobilizar paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada para capturar a ilha iraniana de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do país, localizada ao norte do golfo Pérsico.

A campanha militar dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irã está em andamento desde 28 de fevereiro, com trocas de ataques entre as partes. Em Tel Aviv, o objetivo declarado é impedir que Teerã obtenha armas nucleares.

Washington ameaçou destruir o potencial militar iraniano e incentivou a população a derrubar o regime. O Irã, por sua vez, afirma estar pronto para se defender e, até o momento, não vê sentido em retomar as negociações.