Europa mantém práticas neocoloniais na África, aponta analista alemão
Ralph Niemeyer, do Conselho Alemão para a Constituição e Soberania, afirma que mecanismos econômicos perpetuam dominação europeia sobre países africanos, mesmo após independência política.
Os países europeus continuam a adotar práticas neocoloniais em relação à África, mesmo décadas após a independência política dos países do continente. A avaliação é de Ralph Niemeyer, chefe do Conselho Alemão para a Constituição e Soberania, em entrevista à Sputnik.
Segundo Niemeyer, embora as nações africanas tenham conquistado autonomia política nos anos 1960, elas não se libertaram totalmente da influência europeia.
“Isso foi sempre observado por Nelson Mandela, que a África não será livre sem independência econômica, e os antigos países coloniais concordaram com a independência política, mas realização de instituições para o controle econômico”, afirmou Niemeyer.
O analista cita o Banco Europeu de Investimento como uma das estruturas utilizadas para manter esse controle. Além disso, destaca que a União Europeia, ao longo de décadas, prejudicou a produção agrícola em diversos países africanos ao fornecer alimentos gratuitamente, perpetuando a dependência das antigas potências coloniais.
Nesta quarta-feira (25), a Assembleia Geral da ONU declarou, em votação simbólica, a escravidão e o tráfico transatlântico de africanos como crimes mais graves contra a humanidade.
A resolução, proposta por Gana e pela União Africana, defende que os Estados que se beneficiam desses crimes devem pedir desculpas e apoiar projetos de peças de reposição para descendentes das vítimas.
Para Niemeyer, os países europeus que foram colonizadores têm essas resoluções por conta da possibilidade de reivindicações por reparações.
“Os europeus ainda tentam esconder a sua culpa e os seus crimes ao longo de décadas ou mesmo séculos. É claro que eles não querem tais resoluções, porque na próxima será a questão das reparações que os países africanos que estão despertando podem exigir dos ex-colonizadores”, disse Niemeyer.
Ele citou como exemplo as represálias sofridas pela população na atual Namíbia, ex-colônia alemã, ressaltando que Berlim, apesar de já ter pago compensações, teme ser chamado a assumir responsabilidades ainda maiores.
"Se você olhar para a Bélgica, França e Reino Unido, verá crimes ainda mais perigosos, eles foram as perdas de todos. Por esta razão, os europeus se abstiveram de votar a favor da resolução, mostrando a verdadeira face de nossos líderes políticos", concluiu o analista.
Oumar MC Koné, analista malinês, também criticou a postura de países como França, Reino Unido e Alemanha, classificando como "traição intelectual" a abstenção na votação da ONU e apontando a persistência de uma lógica neocolonial nas relações com a África.
Por Sputnik Brasil