Estudo da FGV revela que preparo de refeições infantis consome quase um dia de trabalho por semana
Pesquisa sobre tempo de preparo de alimentos acende debate sobre o impacto do cansaço invisível na nutrição e a quebra do estigma dos produtos prontos e saudáveis
A conta da maternidade contemporânea raramente fecha entre a carreira e o desejo de uma criação afetiva, mas um novo dado traz luz ao cansaço invisível das famílias brasileiras. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), intitulado "Tempo de preparo de alimentos e o perfil nutricional da dieta", revela que preparar a alimentação infantil do zero pode consumir até 10 horas semanais. Essa pesquisa engloba desde o investimento com a ida ao supermercado ou feira até a higienização dos ingredientes, separação e preparo final. O tempo gasto equivale a mais de um dia de trabalho em jornada comercial, levantando um debate necessário sobre a "Maternidade Real" e como equilibrar a saudabilidade com a necessidade de estar presente.
Para muitas mulheres, a busca pela praticidade ainda vem acompanhada de um peso emocional significativo. Uma pesquisa realizada pela Shopee em 2023 identificou que 72% das mães brasileiras sentem algum nível de culpa ao recorrer a soluções prontas. Paula Machado, diretora de inovação da Papapá e mãe de três filhos, entende que o foco deve ser a liberdade de escolha. “Estar com os filhos de forma intencional requer esforço para dedicar nossa atenção exclusivamente a eles. Ter alimentos práticos e saudáveis à mão é o que permite que esses momentos aconteçam sem o estresse da cozinha”, explica Paula. Para ela, a praticidade não exclui o prazer de cozinhar, mas oferece um respiro necessário para atividades em família, como jogos de tabuleiro.
A transição dessa culpa para a tranquilidade passa obrigatoriamente pela confiança técnica no que está no prato. Paula conta que sua jornada na Papapá nasceu de sua própria exigência materna: “Sempre que eu comprava um produto pronto, a primeira coisa que olhava era a lista de ingredientes e a tabela nutricional. Eu precisava saber que aquilo nutriria de verdade”. Esse movimento em direção a uma alimentação pronta e consciente reflete uma mudança geracional onde a tecnologia alimentar não substitui o cuidado, mas oferece o suporte necessário. Como finaliza Paula: "Nossos filhos precisam de nós por inteiro. Poder dedicar essas horas a eles não tem preço".