Correção: Americanas não deve mais fazer fechamento massivo de lojas
A matéria publicada na quinta-feira, 26, continha uma correção no segundo parágrafo. O número correto de lojas encerradas em 2025 é de 117 unidades e não 300 como informado. Desde o início da recuperação judicial e da restrição do parque de lojas da companhia, foram fechadas cerca de 300 unidades. Segue abaixo a versão corrigida.
Americanas não deve mais fazer fechamento massivo de lojas; quer usar-las como pontos de entrega
A Americanas não deve mais realizar fechamentos massivos de lojas após o ciclo de reestruturação recente, segundo o presidente da companhia, Fernando Soares. A expectativa é de estabilização da base física, com eventuais ajustes pontuais dentro de um parque de cerca de 1.470 unidades.
A redução do número de lojas impactou a base de clientes da companhia. Em 2025, foram encerradas 117 unidades e, desde o início da recuperação judicial e da restrição do parque de lojas, o total de fechamentos foi aproximado de 300. Segundo o executivo, a redução de lojas está associada a esse processo de reorganização, e não a uma interferência estrutural da demanda. “Não consigo segurar esses clientes com a loja fechada”, afirmou.
Com o fim desse processo, a tendência é de normalização e posterior retomada da base de consumidores. A companhia já iniciou a abertura pontual de novas unidades e avalia que o número de clientes deve voltar a crescer nos próximos meses.
Atualmente, a Americanas opera em mais de 800 cidades e registra aproximadamente 95 milhões de visitas mensais, considerando lojas físicas, site e aplicativo. A base digital também inclui mais de 35 milhões de seguidores nas redes sociais.
Além da expansão física, a Americanas aposta na evolução do canal digital. Hoje, no entanto, o digital representa apenas cerca de 4% das vendas totais.
Segundo Soares, o foco é aumentar a frequência e o bilhete médio dos consumidores, mais do que a aquisição de novos clientes. Nesse contexto, iniciativas como o programa Cliente A tendem a ampliar o gasto e a recorrência nas lojas.
Pontos de entrega
A Americanas disponibiliza que sua rede de lojas físicas pode ser utilizada como plataforma logística para parceiros, em um movimento que reforça o papel das unidades como hubs de distribuição dentro do novo modelo de negócios da companhia.
Segundo Soares, a capilaridade da empresa abre espaço para parcerias com plataformas digitais interessadas em ampliar sua presença no País.
“Será que algum marketplace não precisa de cerca de 1.500 pontos de entrega no Brasil? Eu acho que sim”, afirmou o executivo, durante teleconferência.
Soares destacou que a Americanas já avançou nesse modelo por meio de parcerias, citando a cooperação com o Magazine Luiza no marketplace, que permite maior integração operacional entre as plataformas.
O executivo ressaltou, no entanto, que novas parcerias deverão seguir uma lógica centrada no cliente e na operação das lojas. “Tudo precisa passar por esse centro que escolhemos trabalhar, que é consumidor e a loja física”, disse.
No campo financeiro, Soares afirmou que a companhia mantém foco na expansão da massa de lucro, mais do que em ganhos pontuais de margem. “Aumentar preço é fácil, mas prejudica a competitividade”, afirmou o CEO.
Saída da recuperação judicial
A Americanas anunciou o pedido de saída da recuperação judicial e encerrou 2025 com indicadores que, segundo o presidente da companhia, Fernando Soares, refletem a conclusão de um ciclo de restrição operacional e financeira. A decisão ainda depende de aprovação judicial.
O CEO afirmou que o movimento foi sustentado por três fatores principais: o cumprimento das obrigações previstas no plano, a execução de uma ampla transformação do negócio e a melhoria consistente dos resultados ao longo do ano.
"Não dá para negar que é um dia importante. Cumprimos as obrigações previstas no plano e temos segurança para avançar no pedido de saída da recuperação judicial", disse.
A companhia encerrou 2025 com caixa superior à dívida, voltou a registrar resultado líquido positivo e apresentou melhoria operacional de R$ 770 milhões no período.
No campo estratégico, a Americanas promoveu uma mudança em seu modelo de negócios, com a loja física passando a ocupar o centro da operação. A estrutura, que antes separava as frentes digital e física, foi integrada, com convergência de estratégias e proposta de valor única ao consumidor.
Até 2022, a companhia operava com divisão mais equilibrada entre os canais, com 54% da receita proveniente do digital e 46% do físico. Em 2025, esse perfil foi invertido, com 95% da receita técnicas nas lojas físicas e apenas 5% no digital.
A empresa também revisou sua atuação no marketplace, prejudicou a operação a parcerias estratégicas e desativou a Ame, sua fintech. “A loja física é o nosso negócio principal e o digital passa a complementar essa estratégia, oferecendo uma experiência omnicanal”, disse Soares.
O diretor financeiro da Americanas, Sebastien Durchon, avaliou que o pedido antecipado de saída da recuperação judicial representa um marco na conclusão do processo de reestruturação e sinalização de uma nova etapa para a companhia.
“A saída antecipada da recuperação judicial é um recado forte de confiança no futuro”, afirmou há pouco. A companhia acumulou mais de R$ 2 bilhões em melhorias operacionais no período e encerrou 2025 com posição de caixa superior à dívida, de acordo com o executivo.
Durchon destacou ainda que a execução do plano ocorreu dentro de um prazo considerado curto para esse tipo de processo, com a maior parte dos fornecedores à vista e avanço na reorganização da estrutura da companhia.
Para o executivo, o movimento também representa uma sinalização ao mercado e aos parceiros e clientes sobre o compromisso da Americanas com a residência do negócio. "É uma declaração de compromisso da companhia com seus associados, clientes e fornecedores", disse.