Vieira e Rubio debatem comércio e combate ao crime organizado durante reunião do G-7 na França
Ministro brasileiro discute cooperação bilateral com secretário de Estado dos EUA em meio a debates sobre facções criminosas e relações comerciais.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se nesta sexta-feira (27) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante o segundo dia do encontro de chanceleres do G-7, em Vaux-de-Cernay, na França.
De acordo com o Itamaraty, os dois trataram de questões comerciais e de cooperação para o combate ao crime organizado. Uma conversa ocorreu antes do início e ao final da sessão matinal do evento, sendo registrada enquanto os ministros posavam para a fotografia oficial do G-7. O Departamento de Estado norte-americano, no entanto, não divulgou informações sobre o diálogo.
“Foram tratadas questões comerciais e o diálogo em curso para o aprofundamento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado transnacional”, informou o Itamaraty em nota oficial.
O último contato conhecido entre Vieira e Rubio ocorreu em 8 de março, por telefone. Na ocasião, segundo relato do ministro aos deputados, foi discutida a proposta de designação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas — tema em debate no governo Donald Trump. O Departamento de Estado dos EUA considera o PCC e o CV “ameaças graves à segurança regional” e já classificou outros 14 grupos criminosos latino-americanos e caribenhos como terroristas.
O governo brasileiro teme que a designação unilateral dos EUA abra espaço para possíveis intervenções militares no país e avaliações que afetem operações de bancos nacionais. A oposição bolsonarista apoia a medida e a utilização eleitoral para criticar o governo Lula.
Vieira afirmou ter deixado clara a oposição do governo Lula à proposta: “Deixei muito claro que não aceitávamos essa classificação” , declarou aos parlamentares sobre o telefonema de março.
Fontes da diplomacia brasileira negam que o tema tenha sido retomado nas recentes conversas na França. Atualmente, há propostas de acordos envolvendo comércio, parcerias sobre minerais críticos e iniciativas brasileiras para cooperação no combate ao crime organizado, mas algumas demandas dos EUA não foram aceitas pelo governo Lula.
Essas discussões ocorreram paralelamente aos preparativos para uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, em Washington. A Casa Branca ainda não define um dado, apesar das sugestões do governo brasileiro, e, segundo diplomatas, Rubio não deu qualquer indicação a Vieira.
Telefonema com chanceler iraniano
Durante a viagem à França, Mauro Vieira também fez o primeiro contato direto, desde o início da guerra no Oriente Médio, com o chanceler do Irã, Abbas Araghchi. A ligação ocorreu na quinta-feira (26), quando Vieira estava em Paris.
Segundo o Itamaraty, eles discutiram o atual estágio da guerra no Irã, a situação regional no Oriente Médio, os impactos globais do conflito e as perspectivas para uma solução negociada. “Mauro Vieira prestou solidariedade pelas vítimas dos ataques militares ao Irã” , informou o ministério.
O chanceler brasileiro também manteve conversas diretas com ministros de Relações Exteriores da Coreia do Sul, Canadá, Índia, Reino Unido, Alemanha, França e Ucrânia.