DIREITOS HUMANOS

Mãe de crianças mortas em ataque a escola no Irã relembra última conversa com os filhos

Em discurso emocionado na ONU, iraniana pede justiça e relata dor após perder dois filhos em bombardeio atribuído aos EUA

Publicado em 27/03/2026 às 19:25
Retratos de crianças em idade escolar da Escola Primária Shajarah Tayyebeh, em Minab, que foram mortas em um ataque dos EUA são exibidos durante uma coletiva de imprensa pelo Embaixador Iraniano na Tunísia Massoud Hosseinian, em Túnis, Tunísia AP/Ons Abid

Durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 27, uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio a uma escola em Minab fez um apelo por justiça e compartilhou a última conversa que teve com as crianças antes de irem para a aula, no dia 28 de fevereiro. As evidências, segundo autoridades iranianas, apontam para a autoria dos Estados Unidos no ataque.

Mohaddeseh Fallahat relatou que a rotina parecia comum naquela manhã. "Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", disse Mohaddeseh.

Ela descreveu a despedida e a saudade dos filhos Amin e Mehdi. "Ao saírem pela porta, eles simplesmente disseram: 'mãe, venha nos buscar depois da escola'. Essa frase simples agora se repete mil vezes na minha mente, e a cada vez meu coração queima de dor", contou.

"Sou mãe, uma mãe que, mesmo agora, ao passar pelo quarto dos meus filhos, sente a necessidade de abrir a porta e vê-los dormindo em suas camas como sempre, ou sentados ali desenhando. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que qualquer casa deveria estar. Nenhuma mãe imagina que vai mandar seu filho para a escola com um sorriso no rosto, para depois ser recebida com silêncio. Nenhuma mãe está preparada para ouvir as palavras: 'seu filho não vai voltar'", desabafou Mohaddeseh, ao pedir que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos com justiça, não com vingança.

Também presente na reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o ataque à escola em Minab foi intencional. Segundo ele, "ninguém poderia acreditar que foi um erro dadas as tecnologias mais avançadas e os sistemas militares e de dados de maior precisão" dos agressores.

Araghchi ainda declarou: "Esse ataque brutal é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio".

De acordo com o chanceler iraniano, mais de 600 escolas em todo o Irã foram demolidas ou danificadas desde que Estados Unidos e Israel lançaram ações militares contra o país, resultando em mais de mil alunos e professores mortos ou feridos. O ataque em Minab teria deixado 175 mortos.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou dos Estados Unidos a conclusão da investigação já anunciada sobre o bombardeio. "Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Exijo que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado", afirmou.