Mãe de crianças mortas em ataque a escola no Irã relembra última conversa com os filhos
Em discurso emocionado na ONU, iraniana pede justiça e relata dor após perder dois filhos em bombardeio atribuído aos EUA
Durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira, 27, uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio a uma escola em Minab fez um apelo por justiça e compartilhou a última conversa que teve com as crianças antes de irem para a aula, no dia 28 de fevereiro. As evidências, segundo autoridades iranianas, apontam para a autoria dos Estados Unidos no ataque.
Mohaddeseh Fallahat relatou que a rotina parecia comum naquela manhã. "Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", disse Mohaddeseh.
Ela descreveu a despedida e a saudade dos filhos Amin e Mehdi. "Ao saírem pela porta, eles simplesmente disseram: 'mãe, venha nos buscar depois da escola'. Essa frase simples agora se repete mil vezes na minha mente, e a cada vez meu coração queima de dor", contou.
"Sou mãe, uma mãe que, mesmo agora, ao passar pelo quarto dos meus filhos, sente a necessidade de abrir a porta e vê-los dormindo em suas camas como sempre, ou sentados ali desenhando. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que qualquer casa deveria estar. Nenhuma mãe imagina que vai mandar seu filho para a escola com um sorriso no rosto, para depois ser recebida com silêncio. Nenhuma mãe está preparada para ouvir as palavras: 'seu filho não vai voltar'", desabafou Mohaddeseh, ao pedir que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos com justiça, não com vingança.
Também presente na reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o ataque à escola em Minab foi intencional. Segundo ele, "ninguém poderia acreditar que foi um erro dadas as tecnologias mais avançadas e os sistemas militares e de dados de maior precisão" dos agressores.
Araghchi ainda declarou: "Esse ataque brutal é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio".
De acordo com o chanceler iraniano, mais de 600 escolas em todo o Irã foram demolidas ou danificadas desde que Estados Unidos e Israel lançaram ações militares contra o país, resultando em mais de mil alunos e professores mortos ou feridos. O ataque em Minab teria deixado 175 mortos.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou dos Estados Unidos a conclusão da investigação já anunciada sobre o bombardeio. "Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Exijo que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado", afirmou.