SAÚDE PÚBLICA

Gripe, rinovírus e VSR impulsionam aumento de casos de síndrome respiratória grave no país

Infecções por vírus respiratórios colocam 22 estados em alerta, com crescimento expressivo entre crianças e idosos.

Publicado em 27/03/2026 às 19:46
Gripe, rinovírus e VSR impulsionam aumento de casos de síndrome respiratória grave no país Reprodução / Agência Brasil

O Brasil enfrenta um aumento significativo nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), impulsionado principalmente pelas hospitalizações decorrentes de influenza A, rinovírus e vírus sincicial respiratório (VSR). De acordo com o Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última quinta-feira (26), 22 estados já se encontram em nível de alerta, risco ou alto risco para a doença.

Entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, o principal responsável pelo crescimento dos casos é o rinovírus, conforme apontam dados referentes ao período de 15 a 21 de março. O aumento das internações foi observado em estados como Rio de Janeiro, Acre, Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.

Nas crianças menores de 2 anos, o VSR tem sido o destaque, impulsionando o crescimento dos casos graves especialmente nas regiões Norte (Acre, Amazonas, Pará, Roraima e Rondônia), parte do Nordeste (Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e no Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal).

Além do VSR, o metapneumovírus também contribui para o aumento dos casos de síndrome respiratória entre crianças no Distrito Federal e em Minas Gerais.

Em relação à SRAG associada ao influenza A, o boletim aponta crescimento principalmente em estados do Nordeste (Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Bahia), além de alguns do Norte (Amapá, Rondônia), Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo) e no Mato Grosso.

Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz, ressalta a importância de que grupos de maior risco — como idosos, imunocomprometidos e crianças — participem da campanha de vacinação contra a influenza, que começa neste sábado, 28.

Para moradores de regiões com alta incidência de SRAG, Portella recomenda o uso de máscaras em ambientes fechados e com grande concentração de pessoas, especialmente para os grupos de risco.

"Além disso, em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é fazer isolamento dentro de casa. Caso não seja possível, recomenda-se sair utilizando uma máscara adequada, como PFF2 ou N95, para evitar a transmissão do vírus", orienta a pesquisadora.

Em 2024, já foram notificados 24.281 casos de SRAG no Brasil, dos quais 9.443 (38,9%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório.