Governistas articulam rejeição de relatório que pede indiciamento de Lulinha e buscam aprovar voto contra Bolsonaro e Flávio
Mudanças na composição da CPMI do INSS intensificam disputa entre governo e oposição na reta final dos trabalhos
Parlamentares governistas na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS articulam a rejeição do relatório final apresentado pela minoria, de autoria do deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
A expectativa do governo é reunir entre 19 e 21 votos para barrar o parecer e viabilizar a aprovação do relatório alternativo da maioria. Para aprovar um relatório na comissão, composta por 32 membros, são necessários pelo menos 17 votos.
Nas últimas horas, alterações na composição da CPMI mudaram o cenário. O PL ganhou um voto após a vaga do deputado Luciano Vieira (PSDB-RJ) ser liberada por ofício do PSDB. O governo também fortaleceu sua base com a exoneração do ministro Carlos Fávaro, que retornou ao Senado, resultando na saída da senadora Margareth Buzetti (PP-MT), aliada da oposição, da comissão.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a movimentação governista, classificando-a como "absurda" e afirmando que a postura do governo é "covarde".
O relatório da minoria propõe o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por supostos crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e corrupção passiva, além de solicitar sua prisão.
O parecer também pede o indiciamento do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática, furto qualificado mediante fraude, gestão fraudulenta e temerária, crime contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi também é citado, com pedidos de indiciamento por prevaricação, condescendência criminosa, crime de responsabilidade, furto eletrônico e fraude eletrônica por omissão imprópria.
Já o relatório da maioria recomenda o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelos supostos crimes de furto qualificado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é apontado por suposto crime de organização criminosa. O documento inclui ainda Daniel Vorcaro, acusado de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, organização criminosa e gestão fraudulenta de instituição financeira, além do ex-ministro Onyx Lorenzoni, indiciado por furto qualificado contra idoso e lavagem de dinheiro.
A CPMI do INSS encerrou seus trabalhos nesta sexta-feira (27), após o Plenário do Supremo Tribunal Federal derrubar a prorrogação dos trabalhos por 120 dias que havia sido concedida pelo ministro André Mendonça.