Ex-prefeito preso após matar homem em imóvel disputado em Campo Grande (MS) alega legítima defesa
Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, está detido após disparar contra auditor fiscal em meio a disputa por mansão leiloada; defesa sustenta legítima defesa, mas polícia aponta homicídio qualificado.
O ex-prefeito Alcides Bernal permanece preso no presídio militar de Campo Grande (MS) após disparar contra o auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, dentro de um imóvel cuja posse é alvo de disputa judicial.
Mazzini foi atingido na região da cintura, com o projétil saindo pelas costas. Segundo a defesa de Bernal, o ex-prefeito teria agido em legítima defesa.
O advogado Oswaldo Meza, representante de Bernal, afirmou que seu cliente foi acionado pela empresa de segurança responsável pelo monitoramento do imóvel.
"Ele chegou ao imóvel, que está sob sua posse, e o encontrou arrombado. Entraram e forçaram a entrada. Quando Bernal entrou, duas pessoas desconhecidas vieram em sua direção", relatou Meza, mencionando também a presença de um chaveiro, testemunha do ocorrido.
"Não foi algo premeditado, foi um reflexo da legítima defesa", completou o advogado.
O imóvel em questão está sendo disputado em leilão e a situação ainda é discutida na Justiça.
Por ser advogado, Bernal tem direito a sala de Estado Maior e está recolhido no presídio militar, localizado no bairro Noroeste.
A defesa informa que Bernal possui porte e registro de arma regulares, documentos que serão apresentados durante o inquérito, ainda em fase inicial. Meza também declarou que não teve acesso completo às imagens das câmeras de segurança.
"Só tivemos acesso a algumas imagens divulgadas pela mídia, que mostram apenas o ângulo da chegada de Alcides Bernal, mas não o da vítima. Precisamos de todas as imagens para comprovar a legítima defesa", disse.
Após a conclusão do inquérito, prevista para cerca de 10 dias, o caso será encaminhado ao Ministério Público. A defesa pretende então solicitar a liberdade do acusado.
"A expectativa é que ele responda em liberdade e vamos trabalhar para absolvê-lo por legítima defesa", concluiu Meza.
Acusação
A versão da defesa, entretanto, é contestada pelas investigações e por testemunhas. A vítima, servidor público, havia arrematado o imóvel em leilão judicial. Os trâmites finais estavam em cartório quando Mazzini foi ao local acompanhado de outras duas pessoas, incluindo um chaveiro.
No veículo de Mazzini, foi encontrada uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro de 2026, determinando que Bernal desocupasse o imóvel em 30 dias.
Uma testemunha relatou que Bernal não deu chance de defesa à vítima, pois teria chegado atirando. Mazzini foi atingido por dois disparos, sofreu três perfurações e chegou a ser reanimado por cerca de 25 minutos, mas não resistiu. O corpo foi encontrado na varanda, na entrada do imóvel. A Polícia Civil autuou o flagrante como homicídio qualificado por recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
O histórico do imóvel também contradiz a alegação de posse de Bernal. A mansão, avaliada em R$ 3,7 milhões, foi leiloada em novembro de 2025 após anos de dívidas, bloqueios judiciais, penhora e arresto. A família da vítima divulgou nota afirmando que Mazzini estava entrando no imóvel adquirido legalmente quando foi surpreendido, que estava desarmado, foi atingido pelas costas e não teve qualquer possibilidade de defesa.
Por Sputnik Brasil