Lula questiona falta de mobilização popular e menciona 'retrocessos' após impeachment de Dilma
Presidente critica ausência de protestos diante de retrocessos e destaca avanços do governo na educação durante evento em Brasília.
Presidente destaca avanços educacionais e critica ausência de mobilização popular após impeachment de Dilma Rousseff.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou a falta de protestos diante da série de "retrocessos" que, segundo ele, ocorreram após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, especialmente na área da educação.
Durante evento do Ministério da Educação, em Brasília, o governo federal inaugurou simultaneamente 107 obras educacionais em todo o país e celebrou a marca de 99 mil escolas públicas com acesso à internet para uso em atividades escolares.
"O país ficaria analfabeto se tirassem tudo que fizemos", afirmou Lula, que também aproveitou a ocasião para criticar adversários políticos.
O presidente citou o caso do PowerPoint falso exibido pela GloboNews, que o associava ao caso do Banco Master, e apontou tentativas de "induzir a sociedade a uma mentira".
Lula sugeriu ainda que emissoras como Globo, SBT, Bandeirantes e Record produzissem um PowerPoint destacando as entregas do Ministério da Educação. "A Globo, o SBT, a Bandeirantes e a Record não vão fazer um PowerPoint mostrando isso aqui", declarou.
A Globo posteriormente pediu desculpas pela exibição do material, que apontava o presidente como uma das conexões do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao ressaltar avanços obtidos durante os governos do PT — como os programas ProUni e Fies, além da expansão de universidades públicas e institutos federais —, Lula pediu que os eleitores comparem os resultados com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Podem comparar com o governo que substituímos, o que tinha e o que tem agora. É esse balizador que vai permitir às pessoas entenderem as coisas", afirmou.
O presidente voltou a mencionar o período posterior ao impeachment de Dilma ao comentar a falta de mobilizações sociais naquela época.
"Se não levarmos em conta o que o (ministro da Educação) Camilo (Santana) falou, podemos ter um retrocesso, e vocês sabem que houve um retrocesso depois que a (ex-presidente) Dilma (Rousseff) foi impeachada."
Em seguida, Lula questionou diretamente a ausência de manifestações.
"Quais os protestos que houve sobre o retrocesso? Quantas greves? Quantas manifestações nas universidades? Quantas passeatas de estudantes? Nenhuma, porque muitas vezes o medo nos leva a ficar silencioso, quando na verdade essas coisas deveriam nos motivar a brigar, nos mobilizar a lutar cada vez mais."
Sem citar nomes, o presidente também enviou um recado a opositores que, segundo ele, fazem críticas ao país a partir do exterior. "Vamos cuidar melhor desse país do que gente que dá palpite aí fora", disse.
No evento, ministros do governo afirmaram que as iniciativas buscam reduzir a exclusão digital, especialmente em comunidades isoladas, como indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Lula acrescentou que a meta do governo é garantir que 100% das escolas públicas brasileiras tenham acesso à internet.