MERCADO AUTOMOTIVO

China deve responder por um terço das vendas de carros no Brasil em 10 anos, projeta ex-presidente da Anfavea

Rogélio Golfarb aponta que marcas chinesas podem alcançar 35% do mercado nacional até 2035, impulsionadas por competitividade e novas tecnologias.

Publicado em 01/04/2026 às 15:29
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O ex-presidente da Anfavea, associação que reúne as montadoras instaladas no Brasil, e atualmente consultor, Rogélio Golfarb, prevê que, em dez anos, um a cada três veículos vendidos no país será de alguma marca chinesa.

Segundo Golfarb, a participação das montadoras chinesas, que foi de 10% em 2023, deve dobrar para 20% até 2030 e atingir 35% do mercado de veículos em 2035. As projeções são baseadas no avanço dessas marcas em segmentos de entrada — que concentram os maiores volumes — e também em categorias como picapes, vans e caminhões.

O consultor, que fundou a Zag Work após se aposentar da Ford, destaca que as marcas chinesas devem manter a competitividade mesmo com produção local, pois fornecem importar da China, alguns custos, componentes essenciais das novas tecnologias automotivas, como baterias para carros eletrificados, semicondutores, telas de cristal líquido e outros itens eletrônicos.

"As marcas chinesas estão ganhando espaço, independentemente do crescimento do mercado, pela vantagem competitiva. Elas têm uma vantagem competitiva que as outras não têm", afirmou Golfarb em encontro com jornalistas.

Para ilustrar a diferença de custos, a Golfarb comparou um sedã elétrico Tesla Model 3 com um modelo semelhante de uma marca chinesa, ambos fabricados na China. O veículo chinês custa cerca de US$ 4 mil a menos, resultado principalmente da maior integração produtiva (US$ 2,4 mil) e da escala (US$ 1,8 mil). Subsídios do governo e prazos mais longos — de até 200 dias — para pagamento de fornecedores também significativos, mas em menor proporção.

"Todo mundo acha que a grande competitividade chinesa é o incentivo, não é. Integração e escala são 88%", ressaltou Golfarb, reforçando que a competitividade chinesa veio para ficar.

Ele enfatiza que as marcas chinesas que chegam ao Brasil são grandes montadas, com operações robustas e consolidadas. "Recebemos o time dos sonhos. Vieram ao Brasil empresas de peso."

Ao citar parcerias entre montadoras tradicionais e marcas asiáticas — como a Stellantis com a Leapmotor e a General Motors (GM) com a Hyundai —, Golfarb avaliou que a indústria automotiva atravessa uma disrupção sem precedentes. “E não vai voltar ao que era antes”, concluiu.