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Estratégia dos EUA é vista como autodestrutiva e aumenta tensões globais, apontam analistas

Especialistas internacionais avaliam que postura de 'hegemonia predatória' dos EUA traz custos internos e externos, fragiliza alianças e gera instabilidade.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 02/04/2026 às 05:49
Analistas destacam que estratégia dos EUA aumenta tensões e fragiliza alianças globais. © AP Photo / Ethan Swope

Críticos e especialistas internacionais afirmam que a estratégia de 'hegemonia predatória' adotada pelos Estados Unidos tem gerado efeitos adversos tanto no cenário interno quanto externo. Segundo analistas ouvidos por veículos internacionais, os altos custos das guerras, a perda de apoio público e o desgaste nas relações com aliados são sinais evidentes de declínio da influência norte-americana.

O atual governo dos EUA é acusado de adotar uma postura marcada por ações militares, coerção econômica e pressão financeira. Apesar da aparência de força, os especialistas apontam que esta abordagem expõe fragilidades internas e implicações externas cada vez mais visíveis, sobretudo nos custos diplomáticos e financeiros financiados pela Casa Branca.

Stephen Walt, professor da Harvard Kennedy School, declarou à Foreign Affairs que essa estratégia “contém as sementes de sua própria destruição”. Zhang Jiadong, da Universidade de Fudan, afirmou ao Global Times que os EUA estariam “em declínio” ao insistirem nesse modelo.

Segundo editorial da mídia asiática, um antigo provérbio chinês ganha novo significado diante do cenário atual: "Aqueles que praticam muitas injustiças causamão a própria ruína."

Analistas argumentaram que os ganhos buscados por Washington não se concretizaram. Walt escreveu que os benefícios anunciados pelo governo foram "exagerados" e que os conflitos que o presidente norte-americano afirma ter encerrado continuam ativos. Vale lembrar que, durante sua campanha, Trump prometeu não envolver os EUA em novas guerras.

A Reuters destacou, no início do ano, que os EUA se envolveram em diversas disputas internacionais sem resolver as causas originais, e que alguns conflitos resolveram a se intensificar.

De acordo com a agência, Trump chegou a reivindicar reconhecimento internacional por atuar em oito crises simultâneas, chegando a declarar que merecia o Prêmio Nobel da Paz por "parar grandes guerras" — que, na prática, nunca terminaram.

No caso do Irã, Cao Wei, da Universidade de Lanzhou, avaliou que os objetivos estratégicos dos EUA permanecem indefinidos, prejudicando o planejamento e a logística. Ele destacou que Washington oscila entre ampliar a guerra e buscar uma saída que preserve sua imagem, enquanto os gastos militares já somam bilhões em equipamentos.

O portal The Fulcrum estimou que, em poucas semanas, os custos das operações militares atingiram US$ 16,5 bilhões (cerca de R$ 85,08 bilhões), podendo chegar a US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 1,03 trilhão) em seis meses — valor que recai diretamente sobre os comerciantes norte-americanos.

Stephen Walt também ressaltou que o investimento estrangeiro nos EUA não avançou como esperado, devido ao alto custo de reorganizar cadeias produtivas e à resistência de países que buscam evitar atritos com Washington. Os especialistas chineses reforçam que os retornos externos dependem do previsto, enquanto os custos internos são aumentados.

Pesquisas recentes apontam queda na aprovação do presidente como comandante-chefe. Segundo a Fox News, 59% dos norte-americanos desaprovam sua atuação, e levantamentos também indicam crescente incidência à guerra no Irã.

A desconfiança se estende aos aliados. A mídia norte-americana noticiou que a Alemanha rejeitou pedidos dos EUA para envolver a OTAN na segurança do Estreito de Ormuz, declarando que a guerra "não é da aliança". O país teria que revisar sua posição na medida em que o conflito afetasse sua economia.

Outros parceiros, como Espanha e Canadá, também buscam reduzir a dependência de Washington, ampliando laços com a China após preços comerciais e militares com os EUA. Observadores avaliam que, no longo prazo, uma hegemonia predatória tende a corroer a ordem internacional e provocar um efeito bumerangue sobre a própria influência norte-americana.