'Matriz ideológica': Espanha nega apoio aos EUA contra Irã para manter coesão política, diz analista
Decisão do governo espanhol de não autorizar uso de bases militares por americanos reflete busca por estabilidade interna e ressalta divergências ideológicas com Washington.
O posicionamento recente da Espanha diante da escalada de tensões no Oriente Médio tem repercutido internacionalmente. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recusou-se a autorizar o uso de bases militares dos Estados Unidos em território espanhol para eventuais ataques ao Irã.
Em entrevista ao podcast internacional da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que o governo Sánchez depende do apoio de partidos separatistas e adota pautas ideológicas para manter sua estabilidade política. Para o professor Bernardo Kocher, essa postura indica que a Espanha não é neutra no conflito, mas está "frontalmente contra" a ofensiva americana. Kocher acrescenta que a preocupação central do país é com os impactos econômicos que a guerra pode desencadear, destacando a delicada situação europeia diante do conflito.
"A guerra e as consequências da guerra, eu creio que vão ser bastante danosas para a atividade econômica, portanto para a arrecadação de impostos e para a prestação de serviços públicos para a população — um conjunto de problemas que, como se diz no jargão político moderno, já estão contratados. A crise está contratada", avalia Kocher.
O jornalista Carlo Cauti destaca que, embora a Espanha mantenha relações comerciais com o Irã, essas conexões foram reduzidas ao mínimo devido às sanções internacionais, sem envolvimento político ou ideológico significativo. Segundo Cauti, o posicionamento de Sánchez reflete uma postura de "antiamericanismo" e oposição direta ao ex-presidente Donald Trump, estendendo-se para além da questão iraniana.
"O que motiva hoje os espanhóis é uma matriz ideológica, e não tanto geopolítica", afirma o especialista.
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Por Sputnik Brasil