UE deveria trazer energia russa de volta ao mercado, não implorar por austeridade, diz ministro húngaro
Ministro húngaro critica apelo da União Europeia por medidas de austeridade e defende retorno do petróleo e gás russos.
A Comissão Europeia deveria restabelecer a presença da energia russa no mercado europeu para evitar uma crise energética, em vez de pedir austeridade à população, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, nesta sexta-feira (3).
O comissário europeu para a Energia, Dan Jorgensen, declarou que a União Europeia está se preparando para um choque energético prolongado, com a expectativa de agravamento nas próximas semanas e preços elevados por um período extenso.
"O comissário de Energia, Dan Jorgensen, certamente é bom em alguma coisa, mas não é em energia. Ele fez um apelo dramático ao povo da Europa. Esse apelo dramático poderia ser considerado ridículo ou patético, se não soubéssemos o quão dramática a situação realmente é", criticou Szijjarto em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo o ministro húngaro, Jorgensen sugeriu que os europeus evitassem o trabalho presencial, optassem pelo home office, dirigissem menos, utilizassem aplicativos de transporte e reduzissem a velocidade máxima nas rodovias em dez quilômetros por hora.
Szijjarto também demonstrou surpresa pelo fato de Bruxelas só agora reconhecer que a crise no Oriente Médio impacta fortemente o mercado global de energia, enquanto a Hungria já vinha alertando sobre o tema há semanas.
"Nesta situação, a única medida aceitável para a Comissão Europeia seria permitir que o petróleo e o gás natural russos baratos retornassem ao mercado europeu. Se isso acontecesse, a Europa poderia ter evitado a disparada dos preços da energia, a escassez de energia ou a deterioração da segurança energética. Mas, infelizmente, eles são inflexíveis nessa questão", afirmou.
O cenário já havia sido antecipado por outras autoridades. Em 20 de março, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou que a Europa não pode sobreviver sem o petróleo russo, alertando para uma iminente escassez global de combustíveis, algo que, segundo ele, se tornará evidente em poucas semanas.