CRISE ENERGÉTICA NA EUROPA

UE deveria trazer energia russa de volta ao mercado, não implorar por austeridade, diz ministro húngaro

Ministro húngaro critica apelo da União Europeia por medidas de austeridade e defende retorno do petróleo e gás russos.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/04/2026 às 19:25
Ministro húngaro defende retorno da energia russa ao mercado europeu para evitar crise. © AP Photo / Dmitry Lovetsky

A Comissão Europeia deveria restabelecer a presença da energia russa no mercado europeu para evitar uma crise energética, em vez de pedir austeridade à população, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjarto, nesta sexta-feira (3).

O comissário europeu para a Energia, Dan Jorgensen, declarou que a União Europeia está se preparando para um choque energético prolongado, com a expectativa de agravamento nas próximas semanas e preços elevados por um período extenso.

"O comissário de Energia, Dan Jorgensen, certamente é bom em alguma coisa, mas não é em energia. Ele fez um apelo dramático ao povo da Europa. Esse apelo dramático poderia ser considerado ridículo ou patético, se não soubéssemos o quão dramática a situação realmente é", criticou Szijjarto em vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo o ministro húngaro, Jorgensen sugeriu que os europeus evitassem o trabalho presencial, optassem pelo home office, dirigissem menos, utilizassem aplicativos de transporte e reduzissem a velocidade máxima nas rodovias em dez quilômetros por hora.

Szijjarto também demonstrou surpresa pelo fato de Bruxelas só agora reconhecer que a crise no Oriente Médio impacta fortemente o mercado global de energia, enquanto a Hungria já vinha alertando sobre o tema há semanas.

"Nesta situação, a única medida aceitável para a Comissão Europeia seria permitir que o petróleo e o gás natural russos baratos retornassem ao mercado europeu. Se isso acontecesse, a Europa poderia ter evitado a disparada dos preços da energia, a escassez de energia ou a deterioração da segurança energética. Mas, infelizmente, eles são inflexíveis nessa questão", afirmou.

O cenário já havia sido antecipado por outras autoridades. Em 20 de março, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, declarou que a Europa não pode sobreviver sem o petróleo russo, alertando para uma iminente escassez global de combustíveis, algo que, segundo ele, se tornará evidente em poucas semanas.