Dez anos de Panama Papers: principais desdobramentos no Brasil
Vazamento expôs políticos, empresários e empresas brasileiras ligados a offshores em paraísos fiscais; confira os impactos e o que mudou desde então.
Neste domingo (5), completa-se uma década desde a divulgação dos Panama Papers, o megavazamento de milhões de documentos do escritório Mossack Fonseca, que revelou ligações de empresas, personalidades e figuras públicas de todo o mundo com empresas em paraísos fiscais.
O escândalo dos Panama Papers, como ficou conhecido o dossiê global, expôs políticos e empresários, incluindo chefes de Estado, citados em documentos que apontavam supostas conexões com esquemas de empresas offshore.
Na época, representantes do WikiLeaks alegaram que o vazamento teria sido patrocinado pelos Estados Unidos, com o objetivo de atingir a Rússia e o presidente Vladimir Putin.
No Brasil, o material revelou mais de cem offshores ligadas a pessoas citadas na Operação Lava Jato, que ocorria paralelamente à divulgação internacional dos documentos. Entre os nomes destacados está o do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.
Confira a seguir os principais impactos do Panama Papers no Brasil.
Lava Jato
Os documentos extraídos da Mossack Fonseca e publicados pela imprensa apontaram a existência de 107 empresas em paraísos fiscais associadas a pessoas investigadas na Operação Lava Jato. Os registros detalhavam a criação de offshores para pelo menos 57 suspeitos de envolvimento em esquemas de corrupção na Petrobras.
A Mossack Fonseca teria prestado serviços para seis grandes empresas e famílias investigadas na Lava Jato, entre elas a Odebrecht e as famílias Queiroz Galvão (construção civil e energia) e Feffer (ligada à Suzano).
Políticos brasileiros
A publicação dos Panama Papers também revelou que Eduardo Cunha, presidente da Câmara à época, mantinha uma offshore não declarada à Receita Federal. Segundo as investigações, o então deputado teria utilizado o gerente bancário espanhol David Muino como intermediário para abertura da conta, o que foi negado por sua assessoria na ocasião.
Outros nomes citados incluem Edson Lobão, ministro de Minas e Energia durante parte do segundo governo Lula e todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff, além do ex-senador João Lyra.
No total, os documentos mencionaram membros ou familiares de políticos de sete partidos diferentes.
Receita Federal
A Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização de crimes relacionados à evasão de divisas, anunciou a abertura de investigações para apurar possíveis fraudes fiscais. À época, as multas poderiam chegar a 150% do valor omitido pelos envolvidos.
Dez anos após o escândalo, entretanto, não há informações claras sobre os desdobramentos dessas apurações. Em 2019, ao portal Poder360, a Receita informou que ainda realizava diligências para investigar o caso.
Com informações da Sputnik Brasil