Jovem esfaqueada após recusar namoro se manifesta após alta hospitalar
Alana Anisio Rosa, vítima de 15 facadas, convoca manifestação e pede justiça em São Gonçalo (RJ)
Alana Anisio Rosa, 20 anos, falou pela primeira vez após sobreviver a 15 facadas desferidas por Luiz Felipe Sampaio Cabral Silva, de 22 anos, suspeito do crime. O ataque ocorreu após Alana recusar um pedido de namoro. Neste domingo (5), ela usou as redes sociais para convocar uma manifestação no primeiro dia da audiência do processo, que será realizada em São Gonçalo (RJ), e cobrou punição mais severa para o acusado. A defesa de Luiz Felipe não foi localizada pelo Estadão, que mantém o espaço aberto para manifestação.
"Como a maioria das vítimas de violência, a gente precisa abrir mão da privacidade após sofrer algo tão brutal para cobrar justiça", afirmou Alana em vídeo. "Eu sei que se não fala, se não posta, se não compartilha, as coisas são facilmente esquecidas."
Segundo as investigações, o suspeito teria invadido a casa da jovem e cometido o crime após ela rejeitar o relacionamento, em dezembro de 2023. Sampaio está preso preventivamente desde então, acusado de tentativa de feminicídio.
No vídeo, Alana anunciou que haverá uma manifestação no dia da primeira audiência do processo judicial, marcada para as 14h do dia 15 de abril, no Fórum do Colubandê, em São Gonçalo.
"Apesar de ter sobrevivido, como muitas outras vítimas não têm essa oportunidade, continua sendo muito brutal o que aconteceu. Relembra a todos que nós, mulheres, não estamos seguras na rua, no trabalho, na academia e nem na nossa própria casa, lugar onde deveríamos estar protegidas", lamentou a jovem.
Alana foi internada em estado grave, passou por tratamento intensivo e chegou a ser colocada em coma induzido, respirando por aparelhos. Ela recebeu alta do hospital de São Gonçalo em 4 de março.
Jaderluce, mãe de Alana, agradeceu à equipe do hospital, que, em carta, descreveu a jovem como "educada, estudiosa e cheia de luz". Os profissionais desejaram boa sorte à vítima nas próximas etapas da vida.
De acordo com a família, Sampaio perseguia Alana. "Ele tentou tirar a vida da minha filha, invadiu minha casa. Ele não era namorado dela, nunca tiveram nada, ele apenas cismou com ela", declarou Jaderluce no Instagram, semanas antes da alta médica.
Alana e Sampaio moravam no mesmo bairro de São Gonçalo. O suspeito teria tentado agradar a jovem com presentes e, após a recusa de um relacionamento, continuou a enviar mensagens até o dia do crime. Alana afirmou ter rejeitado o namoro de forma educada, explicando que estava focada nos estudos e na aprovação para a faculdade de medicina.