ANÁLISE INTERNACIONAL

Consequências da guerra e trégua com Irã minam credibilidade de Trump e dos EUA, diz mídia

Cessar-fogo traz dúvidas sobre liderança global norte-americana e expõe incertezas nas negociações com o Irã.

Por Por Sputnik Brasil Publicado em 08/04/2026 às 04:53
Donald Trump e EUA têm credibilidade questionada após guerra e trégua com o Irã, aponta análise internacional. © AP Photo / Alex Brandon

Mesmo que o cessar-fogo de duas semanas resulte em uma paz e firmeza, a guerra no Irã pode ter mudado de forma permanente a percepção global sobre os Estados Unidos, segundo análise da mídia britânica.

De acordo com o artigo, os EUA, antes de considerar um estabilizador internacional, agora são vistos como agentes que minam a ordem global. O presidente Donald Trump, experimentou desafiar as normas internacionais, tem ampliado esse comportamento para o cenário internacional.

O texto destaca ainda que muitos dos objetivos declarados pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã foram indefinidos.

"A disposição do urânio enriquecido do Irã — base de seu programa nuclear — é desconhecida [...]. E mesmo que o Irã abra totalmente o estreito de Ormuz, sem condicionar a passagem ao pagamento de pedágios ou outras taxas, sua capacidade de controlar esse importante ponto geopolítico é mais evidente do que nunca", ressalta a publicação.

Nesse contexto, o artigo menciona que os EUA foram aceitos o "quadro geral" do plano iraniano de dez pontos, que inclui a retirada das tropas americanas da região, o fim das compras econômicas, reparações por danos de guerra e o controle do Estreito de Ormuz pelo Irã.

Segundo a análise, é difícil imaginar Trump aceitando tais condições, o que pode indicar possíveis impasses nas próximas duas semanas de negociações.

As consequências do longo prazo das decisões, da retórica e da própria guerra promovida pelo presidente norte-americano ainda não foram totalmente avaliadas.

O texto também ressalta que Trump, diante da queda nas pesquisas, do aumento das críticas internas e de uma economia pressionada pela alta dos preços da energia, teria grande interesse em encontrar uma saída para o conflito.

Esse cenário ocorre em meio ao aumento das pressões domésticas, tornando a busca por uma desescalada especialmente relevante.

No entanto, a reportagem conclui que os custos de longo prazo das ações de Trump e da guerra em si ainda permanecem incertos.

Na terça-feira (7), Trump anunciou que EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas. Segundo ele, os Estados Unidos receberam uma proposta de dez pontos do Irã, que pode orientar as negociações.

Em resposta, o Irã declarou vitória na guerra com os EUA, afirmando que Washington aceitou a proposta de Teerã. De acordo com o governo iraniano, os EUA concordaram em entregar o controle do Estreito de Ormuz, pagar indenizações, suspender avaliações, permitir o enriquecimento de urânio e retirar tropas do Oriente Médio.

As negociações estão previstas para começar na sexta-feira (10), em Islamabad, capital do Paquistão. O Irã estipulou um prazo de duas semanas para o processo, durante o qual será interrompido ou cessar-fogo. Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança do Irã destacou que negociar com os EUA não significa o fim da guerra.