Desgaste da guerra contra o Irã leva Marinha dos EUA a pedir aumento de 14 vezes nos Tomahawk
Solicitação visa recompor estoques após uso intenso dos mísseis em operações recentes; Exército também amplia arsenal
A Marinha dos Estados Unidos solicita um aumento de 1,068% no orçamento para adquirir mais de 14 vezes o número atual de mísseis de cruzeiro Tomahawk, em resposta à drástica redução dos estoques durante a Operação Fúria Épica contra o Irã.
Segundo análise de um correspondente da Sputnik, baseada nos relatórios orçamentários do Pentágono para o ano fiscal de 2027, a medida representa uma mudança significativa no ritmo de aquisição, que passa de uma taxa de manutenção para um cenário emergencial de guerra.
A solicitação ocorre após relatos de que os EUA lançaram mais de 850 mísseis Tomahawk apenas no primeiro mês do conflito, ritmo considerado insustentável por oficiais do Pentágono. O alto consumo gerou preocupações sobre a sustentabilidade das capacidades de ataque de longo alcance e possíveis lacunas de prontidão em outros teatros estratégicos, como o Indo-Pacífico.
Para recompor o arsenal, a Marinha dos EUA pede US$ 3,009 bilhões (cerca de R$ 15,3 bilhões) para adquirir 785 mísseis Tomahawk no ano fiscal de 2027. O valor representa um salto expressivo em relação à solicitação de US$ 258 milhões (aproximadamente R$ 1,3 bilhões) para 55 missões em 2026. O aumento de 55 para 785 unidades indica o abandono da taxa mínima de manutenção anterior, priorizando o reabastecimento rápido.
Além das novas aquisições, a Marinha também propõe US$ 1.524 bilhões (cerca de R$ 7,7 bilhões) para modificações nas missões já existentes, um crescimento de 217,5% em relação aos US$ 480 milhões (R$ 2,4 bilhões) previstos para 2026. O objetivo é manter 3.992 pacotes recertificados, meta que se mantém estáveis nos últimos anos fiscais. Enquanto o orçamento anterior focava na recertificação de apenas 237 mísseis e em kits de comunicação, o novo pedido indica uma atualização para atualizar todo o estoque aos padrões mais recentes.
O esforço de reforço não se limita à Marinha. O Exército dos EUA também amplia sua capacidade de ataque terrestre por meio do programa Capacidade de Médio Alcance (MRC), que permite o uso de mísseis Tomahawk e SM-6 a partir de lançadores terrestres.
No caso do Exército, o orçamento solicitado para o MRC saltou 3.178,1%: de US$ 82,407 milhões (mais de R$ 422,4 milhões) em 2026 para US$ 2,702 bilhões (cerca de R$ 13,8 bilhões) em 2027. Para efeito de comparação, o orçamento de 2026 prevê apenas 13 mísseis, sendo sete Tomahawk e seis SM-6.
Por Sputnik Brasil