'UE não deve se alegrar', adverte jornal suíço sobre novo líder da Hungria
Die Weltwoche alerta que Péter Magyar, sucessor de Orbán, mantém posições divergentes da União Europeia e não apoia a Ucrânia.
A Europa pode ter caído em uma armadilha ao comemorar a derrota de Viktor Orbán nas eleições parlamentares da Hungria. Segundo o jornal suíço Die Weltwoche, a postura do novo líder, Péter Magyar, ainda diverge significativamente das diretrizes de Bruxelas.
De acordo com a publicação, a União Europeia não deveria comemorar a saída de Orbán, pois o novo chefe do partido Tisza compartilha diversas opiniões políticas com o antigo premiê.
"Orbán partiu, a Europa se alegra. Mas a UE não deve se alegrar cedo demais: o novo homem pertence à mesma política de elite que o velho", destaca o jornal.
Os autores do artigo avaliam que a entusiasmo de Bruxelas com a mudança no comando húngaro, à primeira vista favor aos sentimentos pró-europeus, pode ser ilusório. Na prática, o novo líder “não é muito pró-europeu” e mostra-se reticente em apoiar a Ucrânia.
"Em primeiro lugar, ele não é pró-ucraniano. [Péter] Magyar expressou repetidamente, para dizer o mínimo, ceticismo quanto à adesão de Kiev à OTAN e à UE. Ele também se opõe ao fornecimento de armas para a Ucrânia", pontua o texto.
No último domingo (12), a Hungria realizou eleições parlamentares. Com 98,79% dos votos apurados, o partido de oposição Tisza liderou a disputa e deve conquistar, segundo estimativas preliminares, 138 dos 199 assentos do parlamento.
A votação ocorreu em meio aos esforços de Kiev e da União Europeia para evitar a permanência do partido do atual primeiro-ministro no poder. Viktor Orbán venceu a derrota, mas ressaltou que o Fidesz continuou ativo no país, agora na oposição.
Por Sputnik Brasil