Petróleo fecha em alta após Trump anunciar bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz
Medida eleva preços e provoca reações internacionais, enquanto negociações com o Irã seguem sem acordo definitivo
O preço do petróleo cerrou o preço desta segunda-feira, 13, em alta significativa, aproximando-se novamente da marca de US$ 100 por barril. A valorização ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o início de um bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz, mesmo com um cessar-fogo vigente com o Irã.
O barril de petróleo WTI para maio, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), registrou avanço de 2,6% (US$ 2,51), fechando a US$ 99,08. Já o Brent para junho, na Intercontinental Exchange (ICE), subiu 4,36% (US$ 4,16), encerrando o dia a US$ 99,36.
Segundo Phil Flynn, analista do Price Futures Group, o fechamento do Estreito de Ormuz tem sido o principal fator de influência no mercado nas últimas semanas. Flynn, no entanto, alerta para a queda na demanda: "Bloqueios prolongados começam a pesar com racionamento, estocagem e sinais de desaceleração econômica. Isso pode conter a demanda, enquanto alternativas ganham escala", afirmou.
Os preços elevados do petróleo continuam impactando o setor de energia. Em resposta, a Alemanha anunciou nesta segunda-feira uma redução do imposto sobre energia para diesel e gasolina, válida por dois meses.
No decorrer da tarde, o petróleo recuou das máximas intradiárias após Trump informar que o Irã teria feito contato para retomar negociações em busca de um acordo. As tratativas do final de semana, realizadas no Paquistão, terminaram sem resolução após horas de conversas entre representantes dos EUA e do Irã.
O presidente norte-americano afirmou que o Irã "claramente não estava conduzindo as conversas de paz a sério" , enquanto o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, acusou os Estados Unidos de mudarem "constantemente" suas exigências durante as negociações.
A agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que, até o momento, não havia registro de interrupção do trânsito no Estreito de Ormuz para rotas externas ao Irã. Contudo, os navios podem enfrentar a presença de grandes comunicações militares, direcionadas e inspeções durante a travessia.
De acordo com dados da Marine Traffic, ao menos dois petroleiros alteraram o curso nas proximidades do Estreito de Ormuz pouco após o anúncio do bloqueio.
Em resposta à crise, França e Reino Unido comunicaram nesta segunda-feira que lideraram uma iniciativa para restaurar a navegação no Estreito de Ormuz, em ação independente das medidas adotadas pelos Estados Unidos.