CPI DO CRIME ORGANIZADO

Relator da CPI reage e chama de 'ameaça' as críticas de ministros do STF após derrota de relatório

Alessandro Vieira afirma que manifestações de ministros do Supremo configuram tentativa de constrangimento ao trabalho parlamentar.

Publicado em 15/04/2026 às 07:14
Alessandro Vieira reage a críticas do STF após propor indiciamento de ministros na CPI do Crime Organizado. © Andressa Anholete/Agência Senado

O senador Alessandro Vieira (MDB), relator da CPI do Crime Organizado, rebateu publicamente as críticas feitas por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) após informar o indiciamento de três membros da Corte. Para Vieira, as manifestações dos magistrados representam ameaça e tentativa de constrangimento ao exercício parlamentar.

Vieira propôs o indiciamento dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes no contexto do caso Banco Master. Segundo ele, não se curvaria “a cidadão, delegado ou ministro”, reforçando a autonomia do Legislativo.

De acordo com a Folha de S.Paulo , o relatório de Vieira, que apontava a blindagem de investigações e envolvimento dos ministros, foi rejeitado por seis votos a quatro após articulações entre governo federal, membros do STF e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Após a derrota, Vieira criticou ministros por, segundo ele, confundirem a instituição do STF com suas figuras pessoais e se colocarem como imunes a erros.

As respostas do Supremo foram contundentes. O ministro Gilmar Mendes ironizou o relator, indicando que ele teria "esquecido de indiciar seus colegas de milícia", e classificou o pedido como um "erro histórico". Já Toffoli afirmou que o relatório configura abuso de poder com potencial de gerar inelegibilidade, acusando Vieira de agir por motivações eleitorais.

Durante a sessão e em entrevistas, Vieira respondeu afirmando que Gilmar e Toffoli verbalizaram ameaças de cassação e processos. Para o senador, os ministros têm se habituado a interferir no Legislativo e a fazer manifestações de cunho político, recorrendo à ameaça como expediente.

Vieira ainda acusou Gilmar de adotar um “modus operandi” que mistura politização de decisões técnicas e intimidação pública, ressaltando que a atuação não seria isolada, mas parte de uma estrutura de blindagem dentro da Corte. Segundo ele, questionar ministros de forma técnica não deveria ser interpretado como afronta.

Após a rejeição do relatório, Vieira criticou as dores que derrubaram o texto e afirmou que as investigações envolvidas no Supremo fazem parte de uma pauta "que pode ser adiada, mas não evitada". Ele acrescentou que o país, em algum momento, terá “maturidade institucional” para enfrentar o tema.

Em suas redes sociais, o relator destacou que o resultado das votações deve ser respeitado e que caberá ao presidente da CPI decidir o destino do material colhido.

Segundo apuração, a comissão, criada para investigar o crime organizado, acabou sendo utilizada por senadores como forma de contornar resistências à abertura de uma CPI específica sobre o Banco Master e suas ligações com autoridades, inclusive ministros do STF.

Por Sputinik Brasil