Operações contra crimes cibernéticos triplicam e ultrapassam mil por ano, aponta Polícia Federal
Uso de inteligência artificial e deepfakes impulsiona fraudes financeiras no Brasil, segundo dados apresentados em congresso do setor.
As operações da Polícia Federal (PF) contra crimes cibernéticos saltaram de cerca de 300 em 2022 para mais de mil por ano desde 2024, conforme revelou o agente Gustavo Pires de Sá durante o Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento (CMEP), realizado em São Paulo. “Isso representa uma mudança de prioridade da PF no combate ao crime digital”, destacou.
Segundo Pires de Sá, 42,5% das fraudes financeiras no Brasil já utilizam ferramentas de inteligência artificial, evidenciando a sofisticação dos golpes.
O agente também apresentou dados que indicam um aumento de 830% no uso de deepfakes no país entre 2024 e 2025. “O Brasil é um dos maiores produtores de malware bancário do mundo”, afirmou.
Em 2023, a PF firmou acordo de cooperação técnica com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) para integrar o setor à plataforma Tentáculos, uma base única de dados que centraliza informações sobre crimes financeiros digitais. “É um repositório em que a PF recebe dados de bancos, adquirentes e fintechs sobre fraudes, permitindo uma visão mais completa dos movimentos”, explicou.
Pires de Sá ressaltou que a plataforma já conta com mais de 40 parceiros, incluindo associações como a Abecs. Ele incentivou a adesão de mais instituições financeiras e pediu agilidade no reporte dos casos. “É fundamental termos uma visão completa na investigação das fraudes”, concluiu.