Lula anuncia mudanças no Minha Casa, Minha Vida e amplia crédito para reforma de moradias
Aumento do orçamento, ampliação de faixas de renda e redução de juros marcam novas medidas para estimular o setor e melhorar a imagem do governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu, nesta quarta-feira (15), ministros e representantes da construção civil no Palácio do Planalto para anunciar novas medidas externas ao setor habitacional. O principal destaque foi o transporte de R$ 20 bilhões do Fundo Social para a Minha Casa, Minha Vida (MCMV) , elevando o orçamento do programa para R$ 200 bilhões.
O ministro das Cidades, Jader Filho, apresentou uma série de mudanças já aprovadas em março pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Entre elas, está o aumento do teto para aquisição de imóveis na Faixa 3 e na modalidade Classe Média do MCMV. Agora, a Faixa 3 abrange imóveis de até R$ 400 mil, enquanto a Classe Média contempla valores até R$ 600 mil.
Os limites de renda para cada faixa também foram atualizados. A Faixa 1 passa a atender famílias com renda de até R$ 3.200, com juros entre 4% e 4,5% ao ano. A Faixa 2 abrange rendas de R$ 3.201 a R$ 5.000, com juros de 4,75% a 5,5%. Já a Faixa 3 vai de R$ 5.001 a R$ 9.600, com juros de 6,5% a 7,66%, e a Classe Média chega a R$ 13.000, com juros de 10%.
O ministro reforçou a meta de entregar, até dezembro de 2026, 3 milhões de unidades do Minha Casa, Minha Vida .
Outra novidade é a ampliação do programa Reforma Casa Brasil, lançado no ano passado para facilitar o acesso ao crédito para reformas residenciais. Agora, famílias com renda de até R$ 13.000 poderão solicitar financiamento, acima do limite anterior de R$ 9.600.
Os juros do Reforma Casa Brasil também foram reduzidos: para quem ganha até R$ 3.200, a taxa cai de 1,17% para 0,99% ao mês. Para rendas acima desse valor, a taxa passa de 1,95% para 0,99% ao mês. O prazo de amortização foi ampliado para 72 meses (antes, 60), e o valor máximo do financiamento subiu de R$ 30 mil para R$ 50 mil. Todos os financiamentos terão garantia do FGHab (Fundo Garantidor de Habitação Popular).
O governo aposta nessas medidas para transferências para a economia. Segundo o Ministério das Cidades, o setor de construção civil empregou cerca de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada, e o rendimento da categoria cresceu 6% acima da inflação em 2026. Atualmente, mais da metade dos lançamentos imobiliários são do MCMV.
O Palácio do Planalto tem intensificado a divulgação de ações do governo, inclusive com anúncios de medidas já conhecidas, como estratégia para ampliar a percepção positiva da gestão Lula. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) mostra que apenas 23% dos entrevistados entrevistados como notícias sobre o governo positivo, enquanto 48% percebem mais notícias negativas.