Porta-voz do Irã rebate críticas da UE e defende direito de controlar o Estreito de Ormuz
Representante iraniano afirma que país pode adotar medidas para evitar agressões militares e critica postura da União Europeia.
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou neste sábado que nenhuma norma do direito internacional impede o país de adotar ações para evitar que o Estreito de Ormuz seja utilizado em ataques militares contra Teerã.
A fala de Baghaei responde a uma publicação de Kaja Kallas, chefe da diplomacia da União Europeia (UE), que defendeu, em sua conta no X, que o trânsito por rotas marítimas como Ormuz deve permanecer "aberto e gratuito" conforme as leis internacionais. Kallas alertou que a cobrança de taxas pelo Irã criaria um precedente perigoso para o comércio global e pediu que Teerã abandone qualquer plano de taxação.
Em resposta, Baghaei afirmou, também na rede social, que o Irã, enquanto Estado costeiro, tem o direito de tomar providências para impedir o uso militar do estreito contra o país. O porta-voz criticou duramente a postura da União Europeia, classificando-a como hipócrita.
"Oh, aquele 'direito internacional'?! Aquele que a UE tira do armário para dar lições aos outros enquanto silenciosamente dá sinal verde para uma guerra de agressão EUA-Israel — e desvia o olhar das atrocidades contra os iranianos?!", questionou Baghaei.
Ele ainda acrescentou: "Poupe-nos dos sermões; o fracasso crônico da Europa em praticar o que prega transformou seu discurso de 'direito internacional' em hipocrisia máxima".
Segundo Baghaei, a ideia de passagem irrestrita pelo Estreito de Ormuz deixou de existir a partir do momento em que os EUA e Israel intensificaram suas ações militares na região.
Ghalibaf destaca impasse com os EUA em negociações
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, apesar de avanços nas negociações entre Irã e Estados Unidos, ainda existe uma "distância significativa" entre as posições dos dois países. "Devemos obter garantias de que os EUA ou a 'entidade sionista' não iniciarão uma guerra contra o Irã novamente", disse Ghalibaf, referindo-se a Israel, em entrevista à TV estatal iraniana.
Segundo Ghalibaf, as delegações negociadoras de Washington e Teerã agora têm uma "compreensão mais pragmática" uma da outra, mas persistem diferenças relevantes nas tratativas.
O líder do parlamento acrescentou que, diante da falta de resultados com ameaças e prazos, os EUA passaram a enviar mensagens ao Irã por meio de intermediários. O Irã, por sua vez, teria aceitado um cessar-fogo temporário para pressionar Washington a atender suas demandas. Ghalibaf afirmou ainda que o então presidente Donald Trump aceitou a trégua porque o Irã saiu vitorioso no campo de batalha.
"Trump não alcançou seu objetivo de mudar o regime e destruir nossas capacidades ofensivas e de mísseis, e o Irã não é a Venezuela", concluiu Ghalibaf.