FEIRA INDUSTRIAL DE HANOVER

'Cansamos de ser pequenos', diz Lula ao defender liderança do Brasil na transição energética

Presidente destaca potencial brasileiro em energia renovável e propõe parceria estratégica com a Alemanha durante evento internacional

Por Sputnik Brasil Publicado em 20/04/2026 às 07:42
Lula discursa na Feira de Hanover e defende liderança do Brasil na transição energética global. © Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (22), durante a abertura do pavilhão brasileiro na Feira Industrial de Hanover, que o Brasil está pronto para liderar a transição energética global e consolidar-se como parceiro estratégico da Europa em inovação e indústria limpa.

Ao lado das autoridades alemãs, Lula enfatizou o desejo de protagonismo internacional do país. "O Brasil é um país que quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e um país pequeno", declarou, defendendo uma nova postura brasileira no cenário econômico mundial.

O presidente ressaltou a base intelectual e tecnológica do Brasil, citando empresas como Petrobras e Embraer, além da capacidade de compartilhar conhecimento e inovação com parceiros como a Alemanha e até expandir a cooperação para a América do Sul e o continente africano.

O discurso marcou a presença brasileira na maior feira de inovação industrial do mundo e alinhou-se à estratégia do governo de posicionar o país como referência em economia verde. Lula destacou que o Brasil possui condições únicas para se tornar líder global em combustíveis renováveis ​​e transição energética. “Nós não estamos falando pouca coisa”, afirmou.

Segundo Lula, cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, conferindo ao país uma vantagem competitiva em relação a outras economias industrializadas. Ele também ressaltou o avanço dos biocombustíveis, lembrando que o Brasil já utiliza mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, reforçando o potencial nacional em energia limpa.

Para defender a competitividade brasileira, o presidente propôs uma comparação internacional das emissões de combustíveis utilizados em veículos pesados, como caminhões, e afirmou que o combustível brasileiro já emite menos gás carbônico (CO₂) do que alternativas fósseis de outros países. “Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou qualquer outro combustível de outro país”, sugeriu.

Após a abertura do pavilhão, Lula visitou estandes de empresas brasileiras como WEG, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil. Dois caminhões movidos a biocombustível foram apresentados, incluindo um modelo da Mercedes-Benz abastecido com biodiesel verde. O presidente destacou que a participação brasileira em Hanover busca também aprofundar a cooperação tecnológica com a Alemanha. "Viemos aqui para aprender [...] e mostrar aquilo que nós somos capazes de fazer", disse.

Lula defendeu ainda o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Alemanha, afirmando que a cooperação pode investir investimentos, inovação e novas cadeias produtivas sustentáveis.

Ao encerrar o discurso, o presidente reforçou que o Brasil busca um novo papel no cenário internacional, com protagonismo econômico e compromisso ambiental, e afirmou que a participação na feira simboliza essa ambição: "Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma".