EUA adotam postura mais flexível com o Irã em negociações privadas, aponta especialista
Cientista político russo afirma que discurso público dos EUA sobre o Irã difere da postura real nas tratativas reservadas
As declarações de ultimato feitas por Washington à imprensa sobre as negociações com o Irã contrastam com uma postura mais flexível adotada pelos representantes dos EUA em discussões reservadas, afirmou à Sputnik o cientista político russo Konstantin Blokhin.
Segundo o especialista, os norte-americanos buscam "salvar a face" diante do confronto com o Irã. Por isso, no discurso midiático, a atuação dos EUA no Oriente Médio é reiteradamente apresentada pela Casa Branca como uma vitória inquestionável.
"É preciso distinguir duas coisas. Uma coisa, que é para todos, falando de modo convencional, é para o público, para toda a comunidade internacional, é para a mídia. Mas, na realidade, acho que eles [os EUA] serão mais complacentes", disse Blokhin.
Blokhin acrescenta que os Estados Unidos têm interesse em cessar as hostilidades, sair do conflito e congelá-lo em posições vantajosas. Destacou ainda que o Irã é o principal rival dos norte-americanos na região e que, até o momento, Washington não atingiu seus objetivos estratégicos.
"Todos esses acordos não são uma solução para a questão iraniana. Todos esses acordos são um congelamento do conflito com uns 50-50, 'nem para vocês nem para nós'. Muito provavelmente, eles [os EUA] tentarão seguir esse cenário", concluiu o especialista.
No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra alvos no Irã, incluindo Teerã. Na madrugada de 8 de abril, o ex-presidente Trump anunciou um acordo com Teerã para um cessar-fogo de duas semanas.
As negociações realizadas em 11 de abril, em Islamabad, terminaram sem consenso. Apesar do impasse, não houve relatos de retomada das hostilidades, mas os EUA passaram a bloquear portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz, rota por onde circulam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, derivados e gás natural liquefeito.
Por Sputnik Brasil