Desemprego no Reino Unido cai para abaixo de 5% e salários aceleram
Taxa de desemprego atinge 4,9%, menor nível desde agosto de 2025, mas cenário futuro permanece incerto diante de tensões geopolíticas e alta nos preços de energia.
A taxa de desemprego do Reino Unido recuou nos três meses encerrados em fevereiro, atingindo 4,9%, ante 5,2% no trimestre anterior, conforme informou o Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido (ONS) nesta terça-feira, 21. Este é o menor patamar desde os três meses até agosto de 2025.
Apesar da queda, analistas apontam que o cenário pode não se sustentar, já que o conflito no Oriente Médio pressiona as empresas e pode resultar em redução de contratações ou cortes de vagas.
O crescimento anual dos salários, excluindo bônus, acelerou para 3,6%, acima do registrado no período anterior (3,5%). As expectativas de economistas consultados pelo The Wall Street Journal eram de uma taxa de desemprego de 5,2% e crescimento salarial de 3,5%.
Segundo o ONS, a redução da taxa de desemprego reflete principalmente o aumento no número de pessoas que deixaram de procurar emprego, e não necessariamente um avanço nas contratações. "Junto com a queda do desemprego, aumentou o número de pessoas que não estão buscando trabalho ativamente, com dados sugerindo menos estudantes procurando emprego ao mesmo tempo em que estudam", destacou o órgão.
O mercado de trabalho britânico enfrenta desafios adicionais nos próximos meses. Um novo aumento nos preços de energia, decorrente da escalada do conflito no Oriente Médio, pode impactar os lucros das empresas e o poder de compra das famílias, elevando o risco de desaceleração nas contratações ou até de perdas de empregos ainda este ano.
"O mercado de trabalho mostrou sinais de estabilização em fevereiro, mas uma reversão pode estar no horizonte", avaliou Yael Selfin, economista-chefe da KPMG UK, citando os preços mais altos de energia provocados pela guerra.
Selfin ressaltou, no entanto, que a crise atual difere do choque de energia de 2022. "Em contraste com o choque de energia de 2022, o mercado de trabalho está em um estado mais fraco, limitando o poder de negociação dos trabalhadores e reduzindo a probabilidade de uma possível espiral salários-preços", afirmou.
Esse cenário tende a aliviar a pressão sobre o Banco da Inglaterra para adotar medidas mais agressivas de política monetária, com menores expectativas de efeitos de segunda ordem decorrentes da alta dos preços de energia.
Desde o início da guerra no Irã, os mercados chegaram a precificar até quatro aumentos de juros neste ano para conter a inflação. Desde então, as projeções recuaram para um ou dois ajustes.
Durante as Reuniões de Primavera do FMI, o formulador de política monetária Alan Taylor declarou que novos aumentos de juros provavelmente não serão necessários para controlar a inflação, considerando a fraqueza da economia e o desaquecimento do mercado de trabalho.
Fonte: Dow Jones Newswires
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado