ECONOMIA

Apostas não financeiras em plataformas de previsões são proibidas

Economia, plataforma de apostas, CVM, Entretenimento, mercado preditivo

Publicado em 24/04/2026 às 15:24

A partir do início de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento passam a ser proibidas em plataformas de mercado de expansão no Brasil. A medida, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), busca fechar uma brecha regulatória e definir regras mais claras para esse tipo de atividade.

Na prática, só continuarão permitidos contratos ligados a temas econômicos e financeiros, como inflação, juros ou preço de commodities, que são os bens primários com cotação internacional.

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As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298 , aprovada na noite de quinta-feira (23) pelo órgão, mas divulgada somente nesta sexta-feira (23).

O que é o mercado preditivo?

O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”

Se o evento acontecer, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perca.

A diferença em relação às apostas tradicionais é que:

  •    Nas apostas, a empresa define as regras e paga os prêmios;
  •    Nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si.
  •    Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.

O que passa a ser?

Com a nova regra, fiquem proibidos no Brasil contratos relacionados a:

  •     Resultados de jogos esportivos
  •     Eleições e temas
  •     Reality shows e entretenimento
  •     Eventos sociais ou culturais

Na prática, boa parte do que fazia nessas plataformas deixa de ser permitido. A atração vale inclusiva para plataformas estrangeiras que oferecem esses produtos aos brasileiros.

O que continua liberado?

Ainda será possível negociar contratos ligados a variáveis ​​econômicas, como:

  •     Taxa de juros;
  •     Inflação;
  •     Câmbio;
  •     Preço do petróleo ou de outras commodities.

Esses casos continuam sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula o mercado financeiro.

Por que o governo tomou essa decisão?

O principal motivo é que o governo passou a entender que apostas sobre eventos não-financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, não como investimentos.

Desta forma, apostas em eventos não financeiros só podem ser feitas por meio de apostas, que desativam:

  •     Licença do Ministério da Fazenda;
  •     custo de taxas;
  •     Regras de proteção ao jogador.

Sem esses requisitos, as plataformas de mercado preditivo eram vistas como concorrência irregular às apostas.

O que muda para o setor?

A decisão reduz drasticamente o espaço de atuação de empresas de mercado preditivo no Brasil, como plataformas internacionais que oferecem apostas sobre eleições ou eventos globais.

Por outro lado, o governo tenta:

  •     Evitar riscos para investidores;
  •     Reduzir especulação excessiva;
  •     Organizar um setor que cresceu sem regras claras.

Uma regulamentação complementar será feita pela CVM, que também terá a responsabilidade de fiscalizar o cumprimento das novas normas.

Quando passa a valer?

As novas regras entram em vigor em 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo do governo para organizar o mercado de apostas e produtos financeiros no país.