Adolescente nega tortura e critica ação policial após ser resgatada em "casinha de cachorro"
Jovem de 16 anos publicou vídeo nas redes sociais defendendo o namorado, que foi preso em flagrante no Sertão de Alagoas; Polícia Civil mantém acusação de cárcere privado
Uma operação de resgate por suspeita de tortura e cárcere privado em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, ganhou um novo e polêmico capítulo. A adolescente de 16 anos, resgatada por autoridades na última quinta-feira (23), utilizou as redes sociais para negar veementemente que fosse vítima de violência. Em vídeo, a jovem criticou a atuação do Conselho Tutelar e da Polícia Civil, afirmando que o namorado, de 20 anos, foi preso injustamente.
A ação ocorreu no bairro Camoxinga, após denúncias encaminhadas ao Conselho Tutelar. Ao chegarem à residência, os agentes encontraram o imóvel trancado. A adolescente foi localizada nos fundos da propriedade, dentro de uma estrutura descrita como uma "casinha de cachorro". Segundo os relatos policiais, o ambiente era insalubre, apresentava forte odor e grande acúmulo de lixo.
Versão da Adolescente
Em sua defesa pública, a jovem refutou a tese de cárcere privado e explicou sua presença no local onde foi encontrada. Segundo ela, o espaço era utilizado pelo casal para o consumo de fumo.
"Ali onde eu estava é um canto que a gente gostava de fumar. Eu estava lá enquanto ele foi ao mercado comprar lanche para a gente comer. Foi a hora que a gente acordou", afirmou a adolescente na gravação.
A jovem também questionou a legalidade da entrada dos agentes na residência, alegando falta de mandado e exposição indevida. "Invadiram a casa, entrando sem permissão nenhuma e gravando sem autorização", protestou.
Contradições e Provas
Um dos pontos centrais da controvérsia envolve marcas no corpo da menor. Enquanto a investigação trabalha com a hipótese de tortura, a adolescente afirma que os sinais são consensuais. "Dizem que o 'chupão' no meu pescoço foi tortura. Todo mundo vê o que é, não tem nada de tortura", alegou, reiterando que o exame de corpo de delito não teria apontado agressões.
Por outro lado, a Polícia Civil sustenta que a situação configura crime grave. De acordo com as autoridades:
A adolescente não tinha acesso à rua;
Recebia alimentação de forma precária;
Não estava matriculada em nenhuma instituição de ensino.
Situação Jurídica
O namorado da jovem foi preso em flagrante e conduzido ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Santana do Ipanema. O caso agora segue para o Judiciário. Até o fechamento desta edição, o resultado da audiência de custódia, que define se o suspeito responderá ao processo em liberdade ou permanecerá detido, ainda não havia sido divulgado.