Petróleo recua após negociações entre EUA e Irã, mas mantém alta semanal
Movimentações diplomáticas em busca de acordo de paz influenciam cotação do petróleo, que encerra a semana em valorização expressiva.
O petróleo cercou nesta sexta-feira, 24, no outono, após relatos de que o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e autoridades dos Estados Unidos viajaram ao Paquistão para negociações de paz. Apesar da retração no último pregão, a semana foi marcada pela forte alta da commodity, impulsionada pelo impasse nas conversas para um acordo entre EUA e Irã.
Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), o petróleo WTI para maio registrou queda de 1,51% (US$ 1,45), fechando a US$ 94,40 o barril.
O Brent para julho recuou 0,22% (US$ 0,22), cotado a US$ 99,13 o barril na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Mesmo com o recuo desta sexta, o WTI acumulou alta de aproximadamente 12% na semana, enquanto o Brent avançou cerca de 13%.
Abbas Araghchi deverá seguir para Islamabad ainda nesta sexta-feira, enquanto a Casa Branca confirmou que os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner também viajarão à capital paquistanesa para negociações com o Irã. Segundo a secretária de imprensa dos EUA, Karoline Leavitt, o vice-presidente JD Vance permanece de prontidão para deslocar-se ao Oriente Médio, caso necessário. O governo iraniano, porém, não confirmou oficialmente o encontro.
Uma delegação norte-americana, incluindo Vance, estava prevista para retornar ao Paquistão no início desta semana, mas a viagem foi adiada após autoridades iranianas alegarem quebrar o cessar-fogo pelos americanos e anunciarem que não compareceriam.
O cenário ficou ainda mais tenso após informações do The New York Times de que o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, considerado um dos principais negociadores com os EUA, teria deixado a equipe em meio à pressão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e as divisões internas. Teerã não confirmou a saída, enquanto lideranças iranianas divulgaram mensagens de "unidade".
Para o analista do Price Futures Group, Phil Flynn, a retomada dos voos comerciais pelo Irã sinaliza avanços diplomáticos. Flynn também destaca o impacto da prorrogação, por 90 dias, de uma isenção ao transporte marítimo de hidrocarbonetos determinada por Donald Trump, medida que pode contribuir para aliviar os preços globais do petróleo.