MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros recuam levemente com negociações entre EUA e Irã no radar

Perspectiva de diálogo no Oriente Médio traz alívio moderado aos juros futuros, mas cautela persiste diante de incertezas.

Publicado em 24/04/2026 às 18:11
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Os juros futuros negociados na B3 apresentaram alívio no último pregão da semana, impulsionados por uma percepção mais positiva sobre uma possível resolução para o conflito no Oriente Médio. Isso ocorre após o anúncio de que Estados Unidos e Irã enviarão negociadores ao Paquistão neste fim de semana. No entanto, a cautela diante do risco de as tratativas terminarem sem acordo e de uma nova escalada do confronto impediu que as taxas devolvessem todos os prêmios acumulados desde segunda-feira.

Ao final das negociações, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,128% no ajuste de quinta-feira para 14,095%. O DI para janeiro de 2029 recuou para 13,47%, ante 13,547% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2031 teve baixa de 13,59% para 13,495%.

Apesar do recuo no pregão, em relação ao fechamento da última sexta-feira, a curva ainda registra alta homogênea entre os principais vencimentos. O DI de janeiro do próximo ano subiu cerca de 20 pontos-base, enquanto os contratos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 avançaram em torno de 30 pontos-base.

Os contratos futuros de petróleo em Londres e Nova York encerraram esta sexta-feira, 24, em leve queda, voltando a ser negociados abaixo de US$ 100 o barril. O movimento foi influenciado pelos relatos de que autoridades iranianas e norte-americanas estarão no Paquistão nos próximos dias para negociar. Do lado dos EUA, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner viajarão a Islamabad neste sábado, 25. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegará à capital paquistanesa na noite desta sexta-feira, segundo a agência estatal iraniana IRNA. A expectativa é que o diálogo entre os dois países ocorra no domingo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Teerã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências de Washington. Segundo a Reuters, o republicano disse ainda não conhecer o conteúdo do documento e evitou detalhar com quem, exatamente, os americanos negociarão, diante da dispersão de lideranças no país persa.

“A expectativa em torno das negociações estava derrubando as taxas, mas a cautela com o final de semana voltou e os DIs ficaram praticamente no zero a zero em relação ao início do dia”, observa Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil. “Foi um dia de cautela, morno e bem fraco, sem nada muito relevante”, resumiu.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, sinais de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a extensão do cessar-fogo no confronto ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos Treasuries enfraqueceu o dólar frente a outras moedas fortes. “No Brasil, o movimento foi acompanhado pelo fechamento da curva de DI, reforçando algum alívio nas expectativas de juros. O cenário externo acabou prevalecendo nesta sexta”, explicou.

Na próxima semana, porém, a conjuntura doméstica volta ao foco dos investidores, com a decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para quarta-feira. A ampla maioria do mercado projeta um corte mínimo na Selic, de 0,25 ponto percentual: de 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, 33 apostam nesse cenário.

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