DIPLOMACIA SUL-AMERICANA

Presidente colombiano se reúne com interina venezuelana para tratar de segurança e crise política

Gustavo Petro visita Caracas após prisão de Maduro; migração, fronteira e crise política estão na pauta

Publicado em 24/04/2026 às 18:35
O presidente colombiano Gustavo Petro, à esquerda, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, posam para uma foto durante uma reunião no Palácio Miraflores, em Caracas, Venezuela, na sexta-feira, 24 de abril de 2026. AP/Ariana Cubillos

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, recebeu nesta sexta-feira, 24, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas. Este foi o primeiro encontro entre ambos desde a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa pelas forças armadas dos EUA em janeiro.

A expectativa era de que os líderes discutissem uma ampla agenda bilateral, incluindo temas como migração, defesa, segurança de fronteiras, cooperação industrial e comércio.

Petro e Rodríguez deveriam ter se encontrado no mês passado na fronteira entre os dois países, mas os governos cancelaram abruptamente a reunião, alegando "força maior" e informando apenas que ela ocorreria em data posterior.

Antes do encontro de sexta-feira, Petro destacou que sua delegação, composta por altos funcionários militares e policiais, trataria especialmente da segurança da fronteira. O foco está na região de Catatumbo, onde grupos armados rivais disputam território. Petro enfatizou a necessidade de "estreita colaboração em inteligência", alertando que, sem isso, "bombas caem em lugares errados... e acabam matando civis".

As relações entre Colômbia e Venezuela permanecem tensas. Petro não reconheceu Nicolás Maduro como presidente legítimo após as eleições contestadas de julho de 2024, que provocaram protestos e repressão generalizada. Apesar disso, manteve relações diplomáticas com o governo venezuelano.

O governo colombiano afirmou que o encontro visa "contribuir para a resolução da crise política da Venezuela". No entanto, ainda não está claro de que maneira isso poderá ser alcançado.

Para Ronal Rodríguez Durán, pesquisador do Observatório Venezuelano da Universidade del Rosario, a influência de Petro em uma possível mediação é limitada, já que seu mandato termina em agosto. O futuro das relações com a Venezuela dependerá também de quem assumir o poder na Colômbia.

Fonte: Associated Press.