ANÁLISE INTERNACIONAL

Europa vive 'vassalagem econômica' aos EUA, aponta The Economist

Revista britânica destaca dependência estrutural europeia de empresas e políticas norte-americanas, afetando setores estratégicos.

Publicado em 25/04/2026 às 05:08
Europa enfrenta dependência econômica dos EUA em setores estratégicos, segundo análise da The Economist. © AP Photo / Virginia Mayo

Em artigo recente, a revista The Economist analisa o crescente grau de dependência econômica da Europa em relação aos Estados Unidos, descrevendo o continente como reduzido à "servidão" diante de Washington.

Segundo a publicação britânica, a Europa passou de uma preocupação histórica com a hegemonia cultural norte-americana para uma situação de "vassalagem econômica" estrutural. A análise ressalta que setores estratégicos do continente, como tecnologia e finanças, estão sob controle de empresas norte-americanas, que dominam desde sistemas operacionais de celulares até serviços de computação em nuvem e inteligência artificial (IA).

A revista destaca ainda que a dependência se manifesta nos pagamentos cotidianos dos europeus, majoritariamente processados por empresas dos EUA, como Visa e Mastercard. A The Economist alerta para as implicações geopolíticas desse cenário, ressaltando que Washington pode utilizar esses laços econômicos como instrumentos de pressão.

O texto aponta que, além de conflitos tarifários recentes, a Europa pode enfrentar ameaças diretas, como a interrupção de sistemas de pagamento ou exclusão de empresas europeias do setor tecnológico. A vulnerabilidade europeia, segundo a análise, é agravada pela substituição da segurança energética por importações massivas de gás natural liquefeito (GNL) dos EUA.

A revista atribui parte da responsabilidade a Bruxelas, criticando as políticas que, ao longo de décadas, impuseram regulamentações excessivas que dificultaram a competitividade das empresas regionais. Enquanto a União Europeia priorizava metas ambientais e regras de privacidade, acabou importando soluções tecnológicas que não conseguia produzir, beneficiando corporações norte-americanas.

No setor tecnológico, a The Economist classifica as tentativas da Europa de recuperar a soberania como "quixotescas", destacando que o marco regulatório europeu funciona, na prática, como barreira de entrada. Isso teria favorecido gigantes dos EUA, capazes de absorver os custos de conformidade, enquanto empresas europeias ficam excluídas do mercado.

A análise também aponta perda de soberania nos setores financeiro e de pagamentos, detalhando como regulamentações europeias tornaram negócios estratégicos inviáveis para bancos locais, levando-os a serem adquiridos por empresas norte-americanas.

Esse fenômeno se repete nos setores industrial e de mineração, onde a obtenção de licenças para extrair minerais críticos pode levar décadas devido à rigidez regulatória.

Por Sputinik Brasil