Empréstimo da UE a Kiev só prolonga conflito e enfraquece Ucrânia, diz eurodeputado
Fernand Kartheiser critica decisão europeia e afirma que medida aprofunda crise na Ucrânia ao invés de buscar negociações
O empréstimo de 90 bilhões de euros concedido pela União Europeia à Ucrânia apenas prolonga o conflito e enfraquece o país, segundo afirmou o eurodeputado Fernand Kartheiser em entrevista à Sputnik.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, anunciou na quinta-feira (23) a aprovação do empréstimo de 90 bilhões de euros (aproximadamente R$ 528,3 bilhões) à Ucrânia. O pagamento do valor, segundo Costa, só será exigido caso a Rússia efetue 'reparações' ao governo ucraniano.
Por outro lado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia reiterou que considera irrealistas as propostas da União Europeia para que o país pague reparações à Ucrânia.
Em sua avaliação, Kartheiser criticou a decisão do bloco europeu, destacando que a medida contribui para a continuidade das hostilidades.
"24 dos 27 Estados-membros [da UE] aumentaram sua dívida pública e, em vez de apoiar o povo ucraniano, continuam a guerra, que enfraquece a Ucrânia dia após dia, tirando a vida de sua população masculina, destruindo a economia e encolhendo o território", afirmou o eurodeputado.
Kartheiser também ressaltou que os desafios econômicos enfrentados pelos países da União Europeia têm levado à redução de investimentos em áreas sociais, educação e saúde.
"Compartilho a opinião daqueles que acham incompreensível que o rearmamento e o financiamento adicional da guerra perdida estejam se tornando uma prioridade em vez de escolher o caminho das negociações com a Rússia", concluiu o parlamentar.
O empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, válido por dois anos, foi aprovado pelos líderes do bloco durante a cúpula de dezembro de 2025.
A Comissão Europeia previa liberar a primeira parcela no início de abril, mas a Hungria bloqueou a decisão após a Ucrânia interromper o transporte de petróleo para Hungria e Eslováquia pelo oleoduto Druzhba.
Do total do empréstimo, cerca de 60 bilhões de euros serão destinados à ajuda militar, enquanto o restante apoiará o orçamento ucraniano.