POLÍTICA

Ciro Nogueira: 'Se Flávio vier com discurso para a extrema direita, com certeza vai perder a eleição'

Publicado em 27/04/2026 às 21:37
© Sputnik / Guilherme Correia

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, avaliou nesta segunda-feira (27) as chances de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. As declarações foram feitas durante o jantar coletivo após o jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, em São Paulo (SP).

Para Nogueira, Flávio tem a eleição “viabilizada”, mas enfrenta um adversário de peso. “Ele está enfrentando o líder político de maiores vitórias da nossa história, que é o Lula, foi eleito três vezes. Tem um eleitorado cativo muito forte e a eleição vai ser decidida na margem de erro”, disse. Por isso, na avaliação do senador, trata-se de uma disputa que “não se pode errar”.

O senador condicionou a vitória de Flávio diretamente ao tom do discurso. “O candidato que vai ganhar essa eleição é o candidato que vem a falar para a maioria, para as pessoas que querem unificar o país.

Se o Flávio tiver esse discurso, ele tem tudo para ganhar essa eleição. Depende dele", afirmou. Nogueira, no entanto, disse: "Se ele vier com um discurso para a extrema direita, com certeza ele vai perder a eleição." Sobre o vice de Flávio, o senador foi questionado se o PP já considera garantido a vaga na chapa. Nogueira desviou da pergunta e colocou a discussão em segundo plano. "Muito mais importante para uma federação é ganhar as eleições. Fazer um projeto consistente para o nosso país”, disse.

Ele afirmou que a aliança PP-União Brasil não apoiará nenhum candidato por razões de carga. "Vamos apoiar um candidato que tenha a capacidade de criar esse projeto vencedor para o Brasil. Lógico, se dentro de nossos quadros tiver alguém que possa nos levar a ganhar a eleição, seria muito bom.

Mas o mais importante, pelas conversas que tenho com o presidente [do União Brasil, Antônio] Rueda, é um projeto vencedor para o Brasil." Questionado sobre Tereza Cristina (PP-MS) como possível vice, Nogueira elevou o nome da senadora ao topo da corrida política. "Tereza Cristina era o melhor nome para ser presidente da República. É um nome mais do que qualificado", afirmou. Defendeu ainda que sua presença na chapa de 2022 teria mudado o resultado. "Se ela tivesse sido candidata a vice do presidente [Jair] Bolsonaro na eleição passada, nós teríamos ganho aquela eleição."

“Existe uma visão, grande parte da população tem esse sentimento. Mas acho que o presidente da república não deve ser eleito por conta disso. Nós temos que ter um debate muito maior para o nosso país”, avaliou. Sobre o risco de Zema disputar votos com Flávio, o senador foi direto. "É difícil qualquer candidato hoje querer criar uma terceira via no nosso país. O processo eleitoral está muito consolidado entre Flávio e Lula."

No plano estadual, Nogueira confirmou apoio do PP à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e disse que deve vir a São Paulo na próxima semana para anunciar formalmente o apoio. Sobre as vagas ao Senado por São Paulo, defendeu concentração em torno do nome do secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. “O que a gente quer é unificar o quadro do centro e da direita. Se nós tivermos dois candidatos ao Senado únicos, a chance de vitória é muito grande”, disse, ao ser questionado sobre os nomes de Ricardo Salles. “Com argumentos e critérios, a gente vai chegar a esse consenso.” Por fim, Nogueira descartou qualquer interesse no vice de Flávio. "Sou candidato, tenho a minha missão no meu estado. Se eu tivesse de optar entre o Piauí e o Brasil, mil vezes o Piauí", afirmou. PSOL: Flávio tem "submissão" ao governo dos EUA [27/04/2026 23:06] Guilherme Correia: Já presidente nacional do PSOL, Paula Corado, criticou no mesmo evento a posição de Flávio Bolsonaro em relação às terras raras brasileiras. “Nossa posição é que as terras raras sejam usadas para o desenvolvimento da indústria brasileira, que ela seja usada a benefício do Brasil”, disse.

A declaração de Coração tem como pano de fundo a polêmica quando Flávio afirmou, durante a CPAC no Texas, que "o Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será decidido" e que o país "é a solução dos EUA para quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente elementos de terras raras". A fala foi definição do ministro Guilherme Boulos, do próprio PSOL, como “o fato mais grave das eleições de 2026 até aqui”. “Essa declaração do Flávio Bolsonaro é apenas mais uma demonstração de comprometimento que eles têm com o governo norte-americano e que eles não têm compromisso nenhum com o Brasil e muito menos com o discurso nacionalista. É apenas uma demonstração de submissão que eles pretendem deixar o Brasil em relação aos Estados Unidos”, disse Paula, questionada pela Sputnik Brasil em coletiva.

Corado e Ciro Nogueira participaram de jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil, think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva, com objetivo de fomentar o diálogo entre os setores público e privado. O encontro foi restrito às autoridades e muito convidado, e a Sputnik Brasil foi um dos veículos presentes.


Por Sputinik Brasil