Irã prioriza segurança regional antes de discutir programa nuclear com EUA, aponta analista
Estratégia iraniana busca estabilidade regional e apoio de países vizinhos antes de avançar em negociações nucleares com os Estados Unidos.
O Irã tem adotado uma estratégia diplomática que prioriza a estabilidade regional, antes de abordar questões relativas ao seu programa nuclear nas negociações com os Estados Unidos. A informação é do professor de Relações Internacionais da PUC-Minas, Danny Zahreddine, em entrevista à CNN Brasil.
Zahreddine ressalta que os iranianos estão "dando um nó" nos norte-americanos ao conduzirem as tratativas nucleares de forma gradual.
“O Irã tem adotado uma estratégia calculada nas negociações com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, priorizando primeiro a estabilidade regional e a abertura do estreito de Ormuz antes de discutir questões mais sensíveis, como o programa nuclear e mísseis balísticos”, analisa Zahreddine.
Segundo o especialista, o governo iraniano entende que uma resolução rápida sobre seu programa nuclear pode ser prejudicial aos seus interesses estratégicos.
Paralelamente, Teerã tem investido em articulações diplomáticas com países vizinhos, como demonstra a recente agenda do ministro das Relações Exteriores, que visitou o Paquistão, Omã e a Rússia em busca de apoio para uma negociação em etapas.
O principal objetivo iraniano é garantir a estabilidade regional e o livre acesso ao Estreito de Ormuz, postergando discussões sobre o programa nuclear, considerado um tema mais delicado.
Essa postura contrária ao interesse dos Estados Unidos, que busca resolver imediatamente a questão nuclear, impactando diretamente a narrativa de Washington.
De acordo com Zahreddine, ao adotar essa tática, o Irã fortalece sua posição regional diante das pressões norte-americanas.
Vale destacar que, conforme informações da imprensa, nesta segunda-feira (27), Teerã propôs aos EUA um acordo prevendo a abertura do Estreito de Ormuz e o adiamento das discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.
Já na terça-feira (28), um jornal norte-americano informou que o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou insatisfação com a proposta iraniana, especialmente devido ao adiamento das negociações nucleares, considerado um ponto-chave para o governo norte-americano.
Nesta quarta-feira (29), segundo outro veículo dos EUA, Trump orientou seus assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado ao Irã, avaliando que a retomada dos bombardeios seria uma alternativa mais arriscada.
Por Sputinik Brasil